Itália faz disparar juros portugueses para máximos de outubro

Os juros da dívida portuguesa sobem contagiados pela tensão política que se vive em Itália. Taxa a dez anos nacional segue em máximos de sete meses. Negoceia acima de 2% no mercado secundário.

De Itália não sopram bons ventos políticos, e tal está a refletir-se num agravamento das yields da dívida soberana nacional. A taxa de juro a dez anos das obrigações portuguesas dispara até máximos de outubro do ano passado, depois de terem superado a fasquia dos 2% na sessão anterior. O agravamento da percepção do risco também leva os CDS portugueses a dispararem.

A yield soberana nacional no prazo a dez anos agrava no mercado secundário perto de 33 pontos base, para os 2,234%, o que corresponde ao patamar mais elevado desde 26 de outubro do ano passado. Nas restantes maturidades o sentido é semelhante.

Juros portugueses em máximos de outubro

Fonte: Reuters

A dívida nacional acompanha o rumo da congénere italiana, onde as yields soberanas agravam sobretudo nos prazos mais curtos. A yield da dívida soberana de Itália a dois anos agrava 90 pontos base para 1,937%, o patamar mais elevado desde 2013, indica a Reuters. Já no prazo a 10 anos, a subida é de 24 pontos base para 2,93%, a fasquia mais elevada desde meados de 2014. Já a yield espanhola no prazo a dez anos sobe 14 pontos base, para os 1,662%.

Os juros da dívida soberana voltam a subir depois de, esta segunda-feira, o antigo diretor do Fundo Monetário Internacional para as questões orçamentais, Carlo Cottarelli ter aceitado formar Governo em Itália. No entanto, tanto o líder do Movimento 5 Estrelas como o da Liga — partidos que tinham chegada a acordo para formar uma coligação governativa — mostraram-se contra a opção do Presidente italiano. Espera-se agora que Cottarelli não passe no Parlamento, abrindo-se a porta a eleições antecipadas, “o mais tardar no início de 2019″.

Para além de pressionar o rumo das bolsas europeias e agravar os juros da dívida soberana, os receios do mercado também se estão a refletir numa subida dos CDS dos países periféricos. Ou seja, o custo para segurar a dívida. Esta manhá, os CDS da dívida portuguesa a cinco anos sobem 15 pontos, para a fasquia mais elevada em quase sete anos. Já os pares espanhóis sobem dois pontos base para o patamar mais alto dos últimos 13 meses. Maior é a subida registada nos CDS italianos: agravam 49 pontos, para o valor mais elevado em mais de quatro anos e meio.

(Notícia atualizada às 9h20 com mais informação)

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