Paula Amorim: “Há muita gente a querer comprar a Galp”

  • ECO
  • 9 Junho 2018

A filha do empresário Américo Amorim, que é hoje a chairman da Galp, deu uma entrevista de vida ao Expresso onde também revela que há quem queira comprar a petrolífera portuguesa.

Existem vários interessados na compra da Galp Energia, disse Paula Amorim, chairman da petrolífera portuguesa. “Há muita gente a querer comprar”, afirmou a gestora e empresária portuguesa, recusando avançar com nomes. “Temos vários contactos, e não lhes posso falar de identidades, porque as solicitações vêm de vários bancos, que também fazem a sua especulação”, afirmou Paula Amorim numa entrevista ao semanário Expresso (acesso pago).

O jornal entrevistou a filha de Américo Amorim na mesma semana em que se soube que a gestora foi convidada para participar na próxima reunião de Bilderberg, um dos clubes mais influentes e mais secretos do mundo, que promove reuniões à porta fechada com alguns dos maiores líderes mundiais. É também a primeira grande entrevista de vida à gestora portuguesa, numa altura em que falta pouco mais de um mês para se assinalar um ano desde que morreu Américo Amorim, o empresário do norte, fundador da Corticeira Amorim, que ficou conhecido por “rei da cortiça”.

Sobre a participação da Amorim Energia na Galp, na qual a empresa do grupo Amorim detém 33,34% do capital, Paula Amorim garantiu que é “claramente” uma posição “para manter”. “Estamos na Galp há dez anos. Estamos envolvidos e comprometidos com a empresa. Para nós, é um investimento estratégico”, afirmou a chairman da Galp Energia, que é também a mulher mais rica do país, citada pelo Expresso.

O jornal perguntou à gestora se faz sentido procurar petróleo em Portugal. Paula Amorim congratulou-se que o “problema” político esteja “resolvido” e lembrou que o furo de prospeção de petróleo que vai ser realizado na costa vicentina “fica a 43 quilómetros de distância da costa”, pelo que “não há qualquer impacto visual”. Face à contestação da população, que se tem insurgido contra a procura de petróleo em Portugal, Paula Amorim falou em “falta de informação”. “Muitas vezes os assuntos não são bem explicados à opinião pública”, atirou.

Questionada também sobre se existe interesse de regressar à banca, Paula Amorim garantiu que, por agora, “não há nenhum interesse” e que o setor financeiro não é, “neste momento”, uma prioridade. No entanto, frisou que “não existem capítulos encerrados”, disse ao Expresso.

Paula Amorim tem vindo a desenvolver projetos nos setores da moda e do luxo, mas também da restauração, como é o caso do restaurante “JNcQUOI”, que abriu na Avenida da Liberdade durante o ano passado. Foi um assunto que também abordou na entrevista ao Expresso. “Trabalho neste segmento de mercado desde 2005, o que me dá sensibilidade e capacidade para poder aferir um eventual sucesso. Portanto, para mim, era evidente que um espaço como este teria todos os condimentos para ter sucesso. O que não esperava é que tivesse sido tão rápido”, confessou.

Américo Amorim não concordava com a incursão da filha por estes novas áreas de negócio, reconheceu Paula Amorim. “Com o que ele não estava de acordo era que eu tivesse um projeto empresarial só meu. Estando eu no grupo, não percebe essa necessidade”, disse Paula Amorim. “Comuniquei à família que tinha vontade de fazer um projeto meu, independentemente de continuar ligada ao Grupo Américo Amorim, e sentia-me capaz”, acrescentou, recordando que o pai reagiu “com alguma indiferença”. Para arrancar com os projetos, a empresária recorreu a financiamento da banca.

Perdi uma juventude, é verdade. Esse lado da vida universitária, dos amigos, das conversas de café, das saídas, das viagens… não tive isso. Rapidamente assumi muitas responsabilidades, porque gostei logo muito do contacto com o mundo do trabalho.

Paula Amorim

Paula Amorim prepara-se agora para abrir um clube em Lisboa, algo que tem vindo a desaparecer “porque não foram renovados”. “Acho que Lisboa tem todas as condições para um clube privado funcionar. É difícil sair à noite em Lisboa, poder acabar um jantar, ir a qualquer lado beber um copo e dançar. A mim, por exemplo, já não me apetece estar à espera para poder entrar no Lux. Quero jantar num sírio, subir para dançar e encontrar um ambiente onde veja pessoas que tenham gostos e interesses em comum”, desabafou.

Sobre os planos para o clube de Paula Amorim na capital portuguesa, a gestora disse que “vai ser um clube pequeno, com uma área de 400 m2, o que também obriga a limitar o número de membros”. A filha mais velha de Américo Amorim quer ainda abrir mais um restaurante na Avenida da Liberdade, assente num conceito asiático e “rodeado de um jardim”. “A ideia é trazer a cozinha de todos os países por onde passámos na Ásia durante os Descobrimentos e juntar o retalho com a restauração”, disse.

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