Setúbal: Rebocador nacional acusa dinamarquês de preços “predatórios”

A portuguesa Atlantic Tugs acusa a Svitzer -- detida pela gigante dinamarquesa Maersk -- de praticar "preços anormalmente baixos" e garante que já teve de cortar 20% do seu pessoal.

Há uma guerra instalada no Porto de Setúbal. A empresa de rebocadores portuguesa Atlantic Tugs acusa a Svitzer (companhia detida pela gigante dinamarquesa Maersk) de praticar “preços anormalmente baixos”, “dumping“, que diz incorrerem em “concorrência desleal”. Em declarações ao ECO, fonte da companhia lusitana explica que, neste quadro, já se viu obrigada a cortar 20% do seu pessoal. Por isso, apresentou esta terça-feira queixa à Autoridade da Concorrência (AdC). Confrontada com a denúncia, a Svitzer garante que cumpre os “preceitos legais”.

“Temos perdido muitos clientes”, sublinha o representante. De acordo com a Atlantic Tugs, os preços praticados pela dinamarquesa ficam abaixo dos custos de operação, o que inviabiliza a competição. Mais, a empresa em causa “oferece contratos globais em todos os portos nos quais que opera”, dominando o mercado, queixa-se a mesma fonte.

“Não se entende como pode a Svitzer praticar estes preços, quando tem prejuízos de um milhão de euros. Entende-se, tem uma mãe rica”, sublinha a mesma fonte. A dinamarquesa fechou 2017 com prejuízos de um milhão e 700 mil euros.

“Os nossos preços são competitivos em qualquer porto em que operemos. O cumprimento de todos os preceitos legais é a primeira das preocupações da Svitzer“, responde o diretor-geral da Svitzer Portugal, numa nota enviada ao ECO.

Em reação a estes tensões, ao ECO a autoridade responsável pela supervisão deste setor — a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) — diz que não “recebeu qualquer queixa, denuncia ou reclamação”. A Atlantic Tugs declara, por sua vez, que não tem confiança nessa entidade, pelo que decidiu pronunciar-se junto da Autoridade da Concorrência. Ainda assim, a AMT deixa a nota: “não deixaremos de analisar, em coordenação e articulação com as entidades competentes, qualquer assunto que seja submetido e que esteja no âmbito dos seus poderes e atribuições”. Já a AdC, contactada pelo ECO, não quis comentar.

Além da Svitzer e da Atlantic Tugs, também oferece serviços de reboque em Setúbal a Rebonave, que está, do mesmo modo, a viver momentos de tensão com a dinamarquesa. Em janeiro, a AMT decidiu acabar com o regime de exclusividade mantido entre o estaleiro da Lisnave e da Rebonave em prol da “concorrência”, depois de a Svitzer ter requerido a avaliação desse elo contratual. O processo está agora em Tribunal.

Questionada pelo ECO, a Rebonave diz considerar a queixa apresentada pela Atlantic Tugs à AdC uma “reação legítima à política de preços anormalmente baixos que a Svitzer vem assumindo nos portos portugueses”. De acordo com esta empresa, a dinamarquesa pretende “desmotivar a entrada de novas empresas no mercado da rebocagem portuária” e “anular a concorrência” já instalada, de modo a que, uma vez que detenha uma posição dominante no mercado, possa “reclamar e promover o aumento dos preços”.

“Esperamos por isso que, com a urgência que a situação exige, as autoridades tomem as atitudes sancionatórias que se impõem, para banir do mercado da rebocagem portuária e de uma vez por todas, estas reiteradas práticas criminosas, que visam eliminar do mercado, as empresas nacionais concorrentes”, conclui a Rebonave.

(Notícia atualizada às 12h23 com mais informação).

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Setúbal: Rebocador nacional acusa dinamarquês de preços “predatórios”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião