Obrigações do Sporting nunca valeram tão pouco. Investidores temem incumprimento

Credores do Sporting estão cada vez mais com... credo na boca. Auditor alerta para risco de continuidade da SAD leonina. Investidores temem incumprimento e obrigações perdem mais de 10% do seu valor.

As obrigações da SAD do Sporting nunca valeram tão pouco na bolsa, com a crise no seio do clube a afetar cada vez mais confiança dos obrigacionistas e investidores na capacidade de cumprimento da dívida que vence em novembro.

De acordo com os dados da Euronext Lisboa, cada obrigação do Sporting negoceia nos 88,5% face ao valor do par de 100%. Isto significa que títulos no valor de 100 euros estão a ser trocados por apenas 88,5 euros, transacionando com um desconto de 11,5%.

“Efetivamente, o prémio de risco do Sporting tem vindo a aumentar, estas obrigações são muito pouco líquidas o que ainda torna mais difícil a realização de negócios. Os títulos estão a ser negociados a 88,5%, o que significa que quem detinha o investimento e no caso de o ter comprado no valor da emissão a 100% estará a registar uma grande perda. Por outro lado, do ponto de vista do investidor, quem compra exige um prémio de risco maior para deter risco Sporting“, explica Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa.

Se havia dúvidas em relação ao que está em causa neste momento, a PwC fez questão de deixar claro: “Constatamos existir a esta data uma ameaça concreta em relação à continuidade das operações da Sporting SAD“, indicou o auditor num comunicado enviado pelos responsáveis leoninas durante a madrugada desta terça-feira.

Fonte: Euronext Lisboa

Para quem aplicou dinheiro no empréstimo obrigacionista que a SAD realizou há três anos, isto não são propriamente boas notícias. Na verdade, aquilo que a PwC está a dizer é que estes credores correm o risco de não reaver o dinheiro — isto no caso de a ameaça se concretizar e a SAD leonina colapsar. E, neste cenário, deter títulos do Sporting pode ser muito perigoso para os investidores… ou o jackpot. A Euronext Lisboa registou esta manhã ordens de compra ao preço de 85%.

“A incerteza é sempre o risco mais difícil de mensurar e, no Sporting, incerteza é o que mais tem havido, o que faz com que quem esteja disposto a assumir o risco do Sporting queira ter um possível retorno maior”, adianta ainda este especialista no mercado de obrigações.

Estas obrigações deveriam ter vencido no passado dia 25 de maio, mas a falta de capacidade de se financiar no mercado obrigou a SAD leonina a adiar o reembolso da dívida por mais seis meses — os títulos vencem agora em 26 de novembro.

Em abril, a SAD tentou avançar com uma nova emissão de dívida de 30 milhões de euros para proceder ao reembolso desta dívida. Mas a crise diretiva, iniciada com uma troca de argumentos entre Bruno de Carvalho e jogadores nas redes sociais após o jogo em Madrid para a Liga Europa, tornou impossível a realização de um novo empréstimo. A consequência imediata foi adiar o reembolso do anterior empréstimo. E mesmo uma outra emissão de 15 milhões que serviria para financiar a tesouraria do clube continua na gaveta há semanas porque a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem travado o prospeto da operação à espera de melhores tempos em Alvalade.

Sem dinheiro, a SAD do Sporting arrisca-se entrar num cenário de incumprimento com as suas obrigações salariais com funcionários e colaboradores do clube e com o pagamento a fornecedores. Mas há em Alvalade quem garanta que alguns dos compromissos financeiros dos leões estão já em falha.

Entretanto, no mercado acionista, as ações da SAD valorizaram mais de 20% esta segunda-feira para os 0,79 euros, isto depois de ter sido anunciado o novo treinador da equipa principal de futebol, o sérvio Sinisa Mihajlovic, e depois de Jaime Marta Soares, presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube, ter revelado que Artur Torres Pereira será o líder da comissão de gestão do Sporting, após a medida de suspensão aplicada à equipa de Bruno de Carvalho.

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