João Lourenço: “Estamos numa verdadeira cruzada contra a corrupção”

  • Rita Atalaia e Lusa
  • 4 Julho 2018

Na estreia de um presidente angolano no Parlamento Europeu, João Lourenço pede o apoio da UE para impulsionar o crescimento da economia e, assim, limitar a imigração dos países africanos.

O presidente angolano garante estar numa “verdadeira cruzada contra a corrupção”. Este é um dos problemas com que o país se debate, mas não é o único. Além da saída de capitais e o abrandamento do setor petrolífero, a economia ainda tem de dar sinais de crescimento. Na sua primeira intervenção no Parlamento Europeu, João Lourenço pediu o apoio da União Europeia (UE) para promover a expansão económica, criando condições para mais investimento e criação de emprego. Neste cenário, diz o presidente de Angola, vai ser possível limitar a imigração dos países africanos para a Europa.

“Levamos a cabo uma verdadeira cruzada contra a corrupção, nomeadamente crimes de colarinho branco”, afirmou João Lourenço, o primeiro chefe de Estado angolano a discursar no Parlamento Europeu, garantindo que será possível colher em breve os frutos das medidas que estão a ser adotadas. Isto num conjunto de passos que estão a ser dados para garantir um país “mais aberto ao mundo, mais amigo do investimento e do turismo”.

Além da corrupção, João Lourenço referiu que foi aprovada uma nova lei da concorrência “que tem como objetivo prevenir e sancionar os agentes económicos que não cumprem a lei”. Foram ainda “abertos novos concursos públicos para a telefonia móvel” e aprovado um novo modelo de comercialização de diamantes, “o que acaba com os clientes privilegiados que tinham o monopólio do negócio”, e a nova lei de repatriamento de capitais, que possibilita o regresso destes recursos para o país, refere o presidente perante os eurodeputados.

"Contamos com a UE como importante parceiro que nos pode ajudar a superar os constrangimentos que encontramos para colocar a economia angolana ao serviço da sociedade.”

João Lourenço

Presidente de Angola

Estes são alguns passos necessários para abrir Angola a novas empresas e criar novos postos de trabalho. Ou seja, promover crescimento económico. Para tal, João Lourenço pede o apoio dos parceiros europeus. “Contamos com a UE como importante parceiro que nos pode ajudar a superar os constrangimentos que encontramos para colocar a economia angolana ao serviço da sociedade”, afirmou o presidente angolano. Só assim, explicou, será possível criar condições para manter os cidadãos nos países africanos, e limitar a saída para outros países da Europa. Uma questão que o “envergonha”, sublinhou.

As pessoas “fogem de conflitos armados, da fome e miséria, fogem do desemprego e falta de perspetiva de um futuro melhor. Somos todos responsáveis por este quadro. É nesta conformidade que apelamos à UE que estabeleça com o nosso continente um modelo de cooperação a médio longo prazo“, disse João Lourenço, sublinhando que é do “interesse de todos” que haja um travão à imigração.

Ainda em Estrasburgo, o presidente angolano garantiu que a visita oficial do primeiro-ministro português, António Costa, a Angola acontecerá ainda este ano, e não está dependente do processo Manuel Vicente.

“Sabe que as visitas a este nível, a nível de chefes de Estado, têm de ser preparadas com uma certa antecedência. Nós acordámos com as autoridades portuguesas que, antes da minha deslocação a Portugal, devo receber o primeiro-ministro português em Angola. Este processo está em curso, posso garantir que, de acordo com a agenda do próprio primeiro-ministro, António Costa, ainda este ano a visita vai acontecer”, avançou.

(Notícia atualizada às 12h55 com mais informação)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

João Lourenço: “Estamos numa verdadeira cruzada contra a corrupção”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião