João Lourenço quer mais investimento estrangeiro. Isabel dos Santos questiona: “E levantar os lucros em dólares?”

Presidente angolano foi à Bélgica convencer os empresários a investir em Angola, prometendo melhores condições. Isabel dos Santos aproveitou a circunstância para criticar João Lourenço outra vez.

Uma operação de diplomacia e charme levou esta semana o Presidente angolano a Bruxelas num esforço para convencer empresários do país a investir em Angola, a quem prometeu condições iguais para todos no processo de privatizações que o Governo pretende lançar brevemente e que vai incluir empresas públicas do setor petrolífero. Mas se convenceu os presentes, João Lourenço não convenceu Isabel dos Santos, que voltou a atacar o chefe do Governo de Angola.

Na capital europeia, João Lourenço anunciou, perante uma plateia repleta de empresários e investidores belgas, que está a preparar um plano de privatização total ou parcial de algumas grandes e médias empresas públicas, incluindo do setor petrolífero e telecomunicações. Assegurou que todo o processo de privatização será transparente e que todos os candidatos terão oportunidades e condições de acesso iguais.

“Visitem Angola. Vão conhecer o novo destino do investimento em África. Garantimos que ficarão encantados e atraídos pelas oportunidades que vão encontrar”, disse o Presidente angolano citado pelo Jornal de Angola (acesso livre). “Angola é um país estável, acolhedor e com necessidade de investimentos em todos os setores da economia”, frisou ainda.

Segundo o jornal, “alguns empresários reagiram positivamente ao apelo do Presidente de Angola”. Mas o “charme” de João Lourenço esteve longe de cativar Isabel dos Santos, empresária angolana e filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.

Qual o investidor que vai entrar se não se dá autorização aos atuais investidores estrangeiros para levarem os lucros em dólares?”, questionou Isabel dos Santos através da sua conta de Twitter, abrindo novo capítulo na confrontação com João Lourenço que dura desde a sua exoneração da liderança da Sonangol.

Isabel dos Santos referia-se às restrições cambiais impostas às empresas e trabalhadores e que limita a saída de dólares do país, uma medida que condiciona o investimento externo em Angola.

Mais concorrência, menos corrupção

Foram vários os destaques de João Lourenço no encontro com mais de 60 empresários belgas. Referiu-se à nova lei do investimento privado como “mais atrativa e que melhor protege o investimento externo”, porque vai permitir que os investidores estrangeiros possam assumir iniciativas no país sem terem de se associar a parcerias com empresas nacionais.

O chefe de Estado angolano destacou ainda a nova lei da concorrência, que reforça a livre concorrência na economia ao combater monopólios. Foi neste ponto que João Lourenço revelou que o Governo vai lançar um concurso público para a atribuição de mais uma licença de telefonia móvel, destinada a aumentar a concorrência no setor, onde só existem duas operadores — uma das quais é de Isabel dos Santos.

“Com isso, procuramos a melhoria dos serviços prestados pelas operadoras e, consequentemente, a baixa de preços das tarifas telefónicas para os utilizadores”, afirmou.

Por outro lado, o governante sublinhou a “verdadeira cruzada contra a corrupção e impunidade, cujos resultados não tardarão a chegar”. “É um dos grandes males de que a nossa sociedade enferma, mas que felizmente tem os dias contados”, disse João Lourenço.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

João Lourenço quer mais investimento estrangeiro. Isabel dos Santos questiona: “E levantar os lucros em dólares?”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião