Isabel dos Santos diz no Twitter que a “Sonangol recebeu os dividendos da Galp”

Empresária respondeu no Twitter ao Governo angolano, que diz que a sua Sonangol não recebeu dividendos da Galp, onde é acionista. Isabel dos Santos diz que angolanos até pagaram impostos na Holanda.

“A Sonangol recebeu os dividendos da Galp e pagou os impostos referentes aos mesmos dividendos às autoridades holandesas”. É desta forma que Isabel dos Santos responde ao Governo angolano, que diz que a Sonangol não recebeu os dividendos da Galp, onde a petrolífera angolana é acionista.

Em causa está uma notícia avançada no fim de semana pelo Expresso e que dá conta de que, entre 2012 e 2016, cerca de 438 milhões de euros pagos em dividendos pela Galp GALP 0,00% à Esperaza, holding detida pela Sonangol e por Isabel dos Santos, nunca chegaram aos cofres da petrolífera estatal angolana.

No seguimento disso, o Governo angolano assegurou ao semanário que vai entrar numa “batalha” para obter esse dinheiro, o que “não vai deixar tranquilo o antigo Presidente” — José Eduardo dos Santos, que é pai de Isabel dos Santos.

Porém, a empresária angolana diz que essa notícia é falsa. Isso mesmo fez questão de dizer numa imagem publicada este domingo na sua conta de Twitter. Voltou a negar esta notícia horas depois, já esta segunda-feira, reforçando que a Sonangol pagou inclusivamente os impostos na Holanda relativos à remuneração que auferiu enquanto acionista de referência da Galp.

O semanário adiantou no sábado que, entre 2006 (ano em que o empresário Américo Amorim se tornou acionista de referência da Galp) e 2016, a petrolífera portuguesa distribuiu 2,76 mil milhões de euros em dividendos. Destes, 973 milhões foram entregues à Amorim Energia, holding controlada em 55% pela família Amorim e em 45% pela Esperaza, que, por sua vez, é detida em 60% pela Sonangol e em 40% por Isabel dos Santos.

Entre 2012 e 2016, a Amorim Energia deteve 38,34% da Galp. Em 2016, voltou a reduzir a participação, para 33,34%, numa venda que lhe rendeu 484,6 milhões de euros. Nesse período, a Esperaza deveria ter recebido, indiretamente, 438 milhões de euros de dividendos relativos à Galp, pelo que a Sonangol, enquanto sua acionista, deveria ter direito a cerca de 260 milhões (o equivalente aos 60% da sua participação).

Por causa deste assunto, Carlos Saturnino, atual presidente da Sonangol, veio a Portugal para falar com a Galp, após ter constatado, no seguimento do afastamento de Isabel dos Santos da presidência da Sonangol, que não havia registos nas suas contas da petrolífera angolana dos dividendos da Galp.

Uma fonte do Governo de Luanda citada pelo Expresso acusou o anterior Executivo de ser responsável por esta “apagão” nas contas da Sonangol.

(Notícia atualizada às 13h43)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Isabel dos Santos diz no Twitter que a “Sonangol recebeu os dividendos da Galp”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião