Bancos portugueses já limparam quase um terço do malparado

A banca nacional prossegue o esforço de limpeza do balanço. E os dados do Banco de Portugal comprovam-no, com as instituições financeiras a livrarem-se de 15 mil milhões de malparado desde o pico.

Malparado há muito, mas já houve bem mais. Os bancos portugueses têm feito esforços no sentido de se livrarem destes ativos que pesam no balanço, um trabalho que está a mostrar resultados. De acordo com o Banco de Portugal, tendo em conta a limpeza adicional feita no primeiro trimestre deste ano, já desapareceu quase um terço de todos os créditos em incumprimento desde o pico.

“No primeiro trimestre de 2018, o stock de empréstimos non-performing (crédito malparado) diminuiu 4,7%, refletindo, essencialmente, uma diminuição no segmento das sociedades não financeiras (-6%), enquanto no segmento dos particulares o stock permaneceu estável”, evolução que contribuiu para a diminuição de 0,3 pontos percentuais do rácio de malparado no trimestre, passando a situar-se em 13%.

Perante este resultados, divulgado no relatório que avalia o sistema bancário português, o peso do malparado caiu ainda mais. “Desde o máximo histórico, observado em junho de 2016, o rácio de malparado diminuiu 5,0 pontos percentuais refletindo uma redução do stock total em cerca de 30% ou 15 mil milhões de euros“, nota o Banco de Portugal.

"Desde o máximo histórico, observado em junho de 2016, o rácio de malparado diminuiu 5,0 pontos percentuais refletindo uma redução do stock total em cerca de 30% ou 15 mil milhões de euros.”

Banco de Portugal

Não só está a ser feito um esforço de limpeza como os bancos estão a ser cada vez mais proativos no sentido de fazerem provisões para darem resposta às imparidades. “No primeiro trimestre de 2018, o rácio de cobertura de malparado por imparidades aumentou 1,8 pontos percentuais face ao trimestre anterior, situando-se em 51%”, nota o supervisor da banca.

Menos imparidades, mais rendibilidade

Perante a “diminuição muito expressiva do fluxo de imparidades e, em menor grau, um aumento dos resultados de operações financeiras e dos rendimentos de comissões e serviços”, houve um crescimento da rendibilidade da banca que apresentou, no trimestre, um rácio CET1 de 13,6%. “A rendibilidade do sistema bancário aumentou consideravelmente face ao período homólogo: a rendibilidade dos capitais próprios aumentou 7,9 pontos percentuais e a rendibilidade do ativo cresceu 0,8 pontos”, nota.

A redução dos custos com imparidades contribuiu favoravelmente para o aumento do return on assets, passando o contributo desta componente a situar-se em -0,2% do ativo. Esta evolução resultou essencialmente da diminuição do fluxo de imparidades para crédito”, diz o Banco de Portugal, salientando também os contributos dos juros pagos e os dos juros recebidos, mas igualmente das comissões.

"A rendibilidade do sistema bancário aumentou consideravelmente.”

Banco de Portugal

A ajudar a este resultado estiveram também “os custos operacionais diminuíram 4,5% face ao trimestre homólogo. Embora a redução dos custos operacionais tenha sido transversal a todas as componentes, esta diminuição foi mais acentuada na componente dos custos com pessoal“. Juntamente com o aumento do produto bancário, o rácio cost-to-income cifrou-se em 58%. Caiu, mas por causa dos processos de reestruturação na banca.

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