Dez anos depois, PVCi está pronto para a segunda ronda

  • Juliana Nogueira Santos
  • 12 Julho 2018

50 investimentos, 111 milhões de euros canalizados, 500 milhões de impacto. Depois de uma primeira fase dedicada às PME, o Portugal Venture Capital Iniciative está pronto para passar às startups.

Chief Executive do Fundo Europeu de Investimento, Pier Luigi Gilibert, Chairman do PVCI, John Holloway, Vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Emma Navarro, Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.DR

O ano de 2018 marca a celebração do décimo aniversário do Portugal Venture Capital Iniciative (PVCi), mas a história do primeiro fundo dos fundos português pode não ficar por aqui. Pelo menos depois dos resultados que apresentou.

No evento de celebração deste marco, que contou com a presença do Chairman do PVCi, John Holloway, o diretor executivo do Fundo Europeu de Investimento, Pier Luigi Gilibert, a vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), Emma Navarro, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, foram os milhões que estiveram em destaque.

O PVCi começou então em 2008 pelas mãos de Holloway e pelo planeamento de Costa e atingiu uma dimensão de 111 milhões de euros. Através dos sete fundos que o compõem — Pathena, OxyCapital, Menlo, HCapital, Explorer, Vallis e InterRisco –, investiu em 50 empresas que conseguiram duplicar, em média, o seu número de funcionários. Isto traduz-se então num impacto de 500 milhões de euros para o ecossistema nacional.

“O PVCi é uma história de sucesso que deve continuar, têm de surgir ideias de continuação do negócio”, apontou o ministro Caldeira Cabral no seu discurso. “Em dez anos o ecossistema mudou muito. Está mais maduro, mas ainda há muito a fazer”, continuou o ministro, afirmando que ainda faltam muitos instrumentos para impulsionar as áreas que ainda não foram cobertas por estes investimentos.

Já Emma Navarro, vice-presidente do BEI, sublinhou o feito que foi para Portugal ter lançado uma iniciativa como esta, em que o PVCi “assumiu um papel de investidor central” no meio de uma crise financeira global e afirmou que esta é uma prioridade que continuará nos planos da instituição que gere. “A promoção de projetos implementados por pequenas empresas é uma das nossas prioridades no país.”

Agora as startups

Com a esperança de sobrevivência do projeto a esgotar-se, a atenção parece agora estar virada para este novo ecossistema empresarial que se foca ainda mais na dimensão das empresas, e não para maior. Falamos das startups.

Daniel Bessa, economista, tinha já afirmado numa opinião publicada no ECO que, “numa fase em que caminha para o termo da sua existência, continua em discussão a possibilidade de vir a ser criado um PVCI II, tendo por investidores institucionais, desta vez, o FEI e a IFD – Instituição Financeira de Desenvolvimento.”

No evento, para além de Caldeira Cabral, a necessidade de garantir uma continuidade desta iniciativa foi ainda sublinhada por Carlos Costa. “O PVCi fez aquilo que era suposto fazer. O que precisamos perguntar agora é o que está a faltar. Para mim é uma segunda ronda de PVCi”, disse o governador do Banco de Portugal. Assinalando que o tecido empresarial precisa de ficar mais forte através da redução dos NPL e da alavancagem das empresas, Costa disse ainda que Portugal tem de ganhar cultura do risco.

“Negócios é correr riscos”, apontou. “O que é preciso é distinguir as empresas que estão a falhar devido mercados e das que falham por má gestão. Com as segundas não devemos ser complacentes, com as primeiras temos o dever dar um segunda oportunidade, porque falhar não é um pecado eterno.”

Assim, no futuro, o caminho deste veículo de financiamento passará pelo apoio a startups e os empreendedores portugueses, estes que não têm pavor ao risco.

10 Anos, 10 Números

  • 6.000 postos de trabalho
  • 328 milhões de euros investidos na Economia Portuguesa
  • 111 milhões de euros – Dimensão do Programa
  • 50 milhões de euros ainda disponíveis para investimentos até 2020
  • Sete fundos que investiram em 50 empresas
  • Sete distritos portugueses
  • Sete empresas desinvestidas
  • Em média, uma empresa apoiada pela PVCi duplicou o número de funcionários durante os dois primeiros anos após o primeiro investimento.

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