Banco de Portugal acusa KPMG de mentir sobre o BES

  • ECO
  • 21 Julho 2018

Cada um dos acusados incorre numa coima que vai até aos 500 mil euros e de 1,5 milhões de euros no caso da própria KPMG.

É a primeira acusação do Banco de Portugal (BdP) ao papel da KPMG no dossiê do BES. Segundo o Expresso (acesso pago), o supervisor acusa a auditora e cinco dos seus membros de então de violação do dever de comunicação ao BdP. Além da própria auditora, são acusados Sikander Sattar, Inês Viegas, Fernando Antunes, Inês Filipe e Sílvia Gomes.

Todos os acusados tinham, à altura dos acontecimentos, responsabilidades na KPMG em Angola ou em Portugal e acesso à informação sobre o BES Angola. Segundo a acusação, ficou provado que tiveram conhecimento dos riscos da carteira de crédito e de como isso poderia afetar a operação em Portugal e não comunicaram esses factos ao supervisor. Pior, assinaram as contas do BES e não fizeram qualquer reserva.

Cada um dos acusados incorre numa coima que vai até aos 500 mil euros e de 1,5 milhões de euros no caso da própria KPMG. Além disso, os acusados incorrem em outras penas acessórias, que passam pela publicitação e a “inibição de exercício de cargos sociais e de funções de administração, gerência, direção ou chefia em quaisquer entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal”. Contactada pelo semanário, a KPMG não fez qualquer comentário remetendo para um comunicado de abril onde diz que “cumpriu todos os seus deveres”

A KPMG e os seus colaboradores, conta o Expresso, já foram informados das acusações que pendem sobre eles e já terão respondido ao BdP. Os argumentos da defesa deverão agora ser analisados, podendo, nos próximos meses, ser ouvidas as testemunhas e feitas as diligências de prova.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Banco de Portugal acusa KPMG de mentir sobre o BES

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião