O seu site não é “https”? Prepare-se para ser bloqueado pelo Chrome

A partir de agora, o browser da Google vai marcar como "inseguros" os sites que não adotem uma tecnologia de encriptação. Se a página for "http://" em vez de "https://", pode não conseguir aceder.

O Google Chrome vai passar a marcar como “inseguras” todas páginas na internet que não usem o protocolo de segurança “HTTPS”. A nova versão do browser foi lançada esta terça-feira e, gradualmente, chegará aos mais de dois mil milhões de dispositivos que usam o programa. Trata-se de uma medida para forçar os gestores de sites a adotarem medidas de segurança mais apertadas, nomeadamente a encriptação das ligações com os utilizadores.

Quando acede a um site, já deve ter notado o prefixo “http://” antes do “www” (que também está a desaparecer aos poucos). No entanto, com o aumento do risco e das ameaças à segurança na internet, é cada vez mais importante os sites adotarem um novo protocolo de encriptação. Um site usa “HTTPS” quando o prefixo é “https://”. É o caso do site do ECO.

Não se trata de um mero detalhe. As ligações que não são encriptadas podem facilmente ser intercetadas por terceiros na rede. Isso significa um risco acrescido quando está a introduzir informações privadas numa página, como é o caso das passwords. Esse risco é muito menor no caso de um site ser encriptado e usar o protocolo “HTTPS” e, por isso, a Google quer que a tecnologia seja como um padrão nos meandros da web.

Para tal, a multinacional tem como vantagem o facto de possuir o browser mais usado em todo o mundo, com capacidade para definir tendências e forçar os vários players a adotarem as medidas defendidas pela Google. É por isso que, a partir de agora, o browser da Google vai estar à espera que todos os sites tenham protocolos de encriptação. Se o programa detetar que um site usa uma ligação comum e insegura, irá avisar o utilizador de que a página é “insegura” e, eventualmente, pedir autorização para prosseguir.

À revista Wired (acesso condicionado), Scott Helme, investigador na área da segurança, classificou esta alteração como uma “mudança realmente significativa” nos padrões atualmente em vigor. É que, apesar de não impedir totalmente o acesso a páginas inseguras, o aviso dado pela Google poderá levar a que muitos utilizadores deixem de aceder a estes sites. E isso poderá levar a quedas nos acessos, um problema que não é de somenos importância no caso dos jornais digitais, que vivem das audiências.

Em Portugal, uma percentagem significativa de sites ainda não usa o protocolo pedido pela Google, sobretudo os que têm um legado mais pesado. De acordo com a Wired, metade da web ainda não adota esta prática. Sites mais recentes, por norma, já têm um certificado de segurança emitido por uma entidade certificada. Para além de mais segurança, o protocolo “HTTPS” (SSL ou TLS) proporciona uma maior visibilidade nos motores de busca. Há já vários anos que a Google dá mais destaque a páginas seguras, que encriptem as ligações com os utilizadores.

A implementação desta nova funcionalidade no Google Chrome surge depois de a empresa ter adotado outras medidas semelhantes, na expectativa de que se tornem um padrão no mercado. Não há muito tempo, o browser da Google passou a impedir que os sites apresentem vídeos que reproduzem automaticamente, bloqueou os objetos em flash e remove anúncios publicitários que não respeitem as boas práticas traçadas pela multinacional.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

O seu site não é “https”? Prepare-se para ser bloqueado pelo Chrome

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião