Semana louca de resultados na bolsa. Vêm aí muitos milhões de lucros

Dez das 18 cotadas do PSI-20 têm agendada para esta semana a divulgação das contas do primeiro semestre. A acreditar nas estimativas dos analistas, os investidores devem aguardar boas notícias.

A época de apresentação de resultados já começou há algum tempo, mas é agora que vai aquecer. Depois da Nos, vem aí uma verdadeira enxurrada de números por parte de, pelo menos, uma dúzia de empresas, entre pequenas e grandes, que querem entregar lucros aos investidores antes destes irem a banhos. São muitas, em muito poucos dias, sendo que na maioria dos casos prometem deixar os acionistas partirem para as férias com um sorriso na cara.

A Nos deu o “tiro de partida” para a semana louca de contas que prossegue com o BPI, que dá o pontapé de saída para os resultados do segundo trimestre da banca, mas também com a divulgação dos resultados da dona da SIC, a Impresa. E nos dias seguintes, todos esta semana, segue-se um conjunto de nove cotadas do PSI-20 que vai acabar a semana com mais de metade das 18 empresas que o compõem de contas fechadas.

Na quarta-feira prestam contas a EDP Renováveis, a Navigator e a Jerónimo Martins. Na quinta-feira cabe a vez à Altri, REN, BCP e EDP, enquanto na sexta-feira serão conhecidos os números da Semapa e da Sonae Capital.

São muitos números. E a avaliar pelas estimativas dos analistas, a grande maioria das principais cotadas nacionais promete fechar o semestre com “chave de ouro” tanto em termos de receitas como de lucros. Uma expectativa que é corroborada pelos especialistas do mercado consultados pelo ECO.

Comparação dos lucros entre a primeira metade de 2017 e 2018

Fonte: Reuters e CMVM | Dados para o primeiro semestre de 2018 têm em conta estimativas dos analistas para o segundo trimestre.

“É expectável que as empresas continuem a tendência observada já na época de resultados anterior de crescimento de receitas e de lucros“, afirma a equipa de research do BiG. No mesmo sentido vai a opinião de Albino Oliveira. “As épocas de resultados na Europa e, principalmente, nos EUA estão já a decorrer. Os sinais são positivos, reflexo do enquadramento económico favorável, o que justifica expectativas positivas também para Portugal“, afirma o especialista da Patris Investimentos.

"As épocas de resultados na Europa e, principalmente, nos EUA estão já a decorrer. Os sinais são positivos, reflexo do enquadramento económico favorável, o que justifica expectativas positivas também para Portugal”

Albino Oliveira

Entre as melhores surpresas para os investidores deverão sobressair os resultados das papeleiras. “No que se refere às empresas de pasta e papel, o comportamento dos seus preços poderá manter-se um importante fator para a evolução dos resultados do setor“, diz Albino Oliveira.

As três cotadas nacionais do setor — Altri, Navigator e Semapa — continuam a ver os seus lucros dispararem a reboque da escalada dos preços da pasta a nível internacional, que a par dos movimentos da fusões e aquisições no setor também têm ajudado as cotações a tocarem máximos históricos.

As previsões dos analistas levam a antever que qualquer das três empresas figurem entre as maiores subidas de lucros do PSI-20. No caso da Altri, as estimativas apontam para um crescimento de lucros na ordem dos 84% nos primeiros seis meses do ano. No caso da Navigator, a expectativa vai no sentido de um aumento de perto de 18% dos lucros, enquanto a casa-mãe Semapa antevê uma subida de lucros em torno de 41% no primeiro semestre.

Bastante elevada parece ser ainda a antevisão para os lucros semestrais do BCP que deverá ver o seu resultado líquido crescer quase 50% (47%, segundo a média dos analistas), após um primeiro trimestre do ano que já tinha sido bastante positivo.

O BPI, por exemplo, estima que o banco liderado por Miguel Maya feche o primeiro semestre do ano com lucros de quase 150 milhões de euros, 60% acima do verificado no mesmo período do ano passado. Para este crescimento deverá contribuir a evolução positiva da margem financeira, que terá crescido 1% no semestre para um valor de 1.057 milhões de euros “suportada essencialmente pela atividade internacional, já que em Portugal deverá manter-se estável”, antecipa o banco liderado por Pablo Forero numa nota de research.

Aliás, entre 12 cotadas do PSI-20 para as quais a Reuters compilou estimativas para os resultados da primeira metade do ano, há a expectativa de que apenas três possam dececionar os investidores. Nomeadamente a EDP e a REN, que poderão ver os seus lucros baixarem, enquanto as estimativas dos analistas apontam para que a EDP Renováveis feche o semestre com lucros estáveis.

No caso da empresa liderada por António Mexia, a média das estimativas dos analistas leva a antever uma quebra de 20% nos resultados líquidos do primeiro semestre de 2018 face ao período homólogo. Mas o resultado operacional poderá apresentar um rumo muito diferente, com uma estimativa de crescimento de 19% para as receitas. “Se olharmos para a EDP e Galp energia, empresas que já apresentaram os seus dados operacionais, podemos provavelmente apontar para uma evolução favorável, traduzindo a produção de energia hídrica (no caso da EDP) e a evolução da cotação do petróleo (no caso da Galp Energia)”, acredita Albino Oliveira.

No que respeita à petrolífera, esse parece ser o sentimento geral entre os analistas que anteveem um aumento de 36% nos seus lucros. Ao nível das receitas preveem ainda um crescimento de 18%, com o EBITDA a subir ainda mais: 24% para mais de mil milhões de euros na primeira metade do ano.

"Tendo em conta as incertezas identificadas no contexto externo, com destaque para as ameaças de implementação de novas tarifas às importações por parte dos EUA, os resultados poderão representar um importante suporte para a evolução dos índices de ações.”

Albino Oliveira, Patris Investimentos

Perante um cenário global tão positivo para as cotadas do PSI-20, tudo aponta para que tal confira um suporte para o mercado acionista nacional. “Tendo em conta as incertezas identificadas no contexto externo, com destaque para as ameaças de implementação de novas tarifas às importações por parte dos EUA, os resultados poderão representar um importante suporte para a evolução dos índices”, acredita Albino Oliveira, acrescentando que isso mesmo justifica “a atenção dos investidores perante esta época de resultados”.

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