Jornal grego compara incêndios na Grécia aos de Portugal: “Exigimos uma demissão”

  • ECO
  • 26 Julho 2018

Jornal Kathimerini exige que o governo grego assuma a responsabilidade dos fogos. Deve demitir, pelo menos, um ministro, à semelhança do que ocorreu em Portugal com Constança Urbano de Sousa.

Os fogos que atingiram a Grécia nos últimos dias estão a chegar ao governo. O jornal de referência grego, Kathimerini, pediu a demissão de pelo menos um ministro do país no seu último editorial. No artigo de opinião, intitulado “A resignation is imperative”, o jornal refere a demissão de Constança Urbano de Sousa, ex-ministra da administração interna, como um exemplo a seguir.

No editorial do jornal grego, publicado na quarta-feira à tarde, lê-se:

“Exigimos uma demissão. Quando o número de mortos se aproxima dos 100, quando a tragédia atinge uma dimensão incompreensível, quando a insuficiência da máquina administrativa se traduz neste tipo de falhas incomportáveis, é legítimo responsabilizar os nossos políticos.

Temos bastante presente na memória o exemplo da demissão da ministra da Administração Interna Portuguesa, Constança Urbano de Sousa, após os fogos que devastaram o seu país, em novembro do ano passado.
Exige-se no mínimo a demissão de um membro do Ministério como demonstração de respeito pelas vidas perdidas nesta tragédia.

O nosso primeiro-ministro descreveu a situação como uma “tragédia inqualificável”, e tal nível de desespero exige uma catarse política.”

Entretanto o primeiro-ministro Tsipras decretou três dias de luto nacional, com o número de vítimas confirmadas a atingir os 85, situação que tem vindo a revelar a insuficiência da máquina administrativa grega.

Exigimos uma demissão.

Editorial do Kathimerini

Grécia em Chamas, um autêntico “Armaggeddon”

O editorial do jornal grego estabelece um paralelismo entre a situação vivida na Grécia e a de, há pouco mais de um ano, em Portugal, alertando o seu governo para a necessidade de atuar com sensibilidade e em conformidade com o peso da perda de tantas vidas nos últimos dias.

O jornal grego aponta que “a demissão de, no mínimo, um ministro grego seria a única forma do país sentir que as vidas perdidas são devidamente homenageadas”.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, descreveu os incêndios como “uma tragédia inqualificável”, que exige uma catarse política, sendo que esta palavra, em grego, simboliza limpeza, e aponta para a necessidade de uma extrema mudança que ocorrerá através da demissão de representantes do Ministério que assumam as falhas do sistema administrativo.

A unidade de combate ao terrorismo grega já confirmou que os incêndios foram resultado de uma explosão na área de Attica. O fogo posto está por detrás da maioria dos incêndios da região, segundo avançou o Kathimerini, tendo muitas vezes o propósito escondido de limpar o terreno para a construção de novos edifícios.

Com este editorial, o Kathimerini tenta prevenir o seu governo para o perigo da desresponsabilização dos políticos, mas não é o único. Outro jornal de referência grego, Ethnos, chamou à tragédia grega um autêntico “Armaggeddon”.

Paralelismos com a tragédia de Pedrógão

Portugal foi devastado pelos fogos de Pedrógão no verão do ano passado, uma tragédia que motivou uma onda de contestação sobre o desempenho das autoridades portuguesas perante situações de emergência civil.

Na altura, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, recusou assumir responsabilidades, admitindo que “as falhas de funcionamento do SIRESP [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] reveladas durante a tragédia, não eram um problema novo mas um fator latente no sistema há bastante tempo.”

Em causa, revelaram as investigações, estiveram graves falhas de comunicação entre as entidades competentes, além da falta de meios, aéreos e terrestres no combate aos incêndios. O Presidente da Associação de Bombeiros, Fernando Curto, em entrevista à Antena 1 em março deste ano, admitiu mesmo que “com meios adequados não há combates impossíveis”, reforçando a ideia de que estas falhas tiveram como consequência a morte confirmada de pelo menos 116 vítimas.

A demissão da ministra acabaria por acontecer apenas no fim de outubro de 2017, após declarações do Presidente da República.

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