Falta de mão-de-obra afeta mais empresas

Há cada vez mais empresas a queixarem-se de dificuldades de contratação. No entanto, a morosidade do sistema judicial continua a ser o maior obstáculo da atividade, revela o INE.

As dificuldades de encontrar mão-de-obra e de contratar técnicos qualificados são o obstáculo à actividade das empresas que mais cresceu entre 2014 e 2017. No entanto, a morosidade do sistema judicial continua a ocupar o primeiro lugar do pódio dos entraves à vida das empresas, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“As operações ligadas aos recursos humanos não constituíram, globalmente, um obstáculo elevado ao exercício da atividade das empresas (2,93). No entanto, foi neste indicador que se registou o maior aumento face a 2014 (+0,17 pontos)”, escreve o INE, acrescentado que que este aumento “deveu-se principalmente a dificuldades na contratação de trabalhadores (+0,28) e no acesso a técnicos qualificados (+0,23)”.

Esta tendência tem sido revelada por alguns responsáveis, com o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, a chamar a atenção para o mesmo problema.

No entanto, apesar deste agravamento, “as dificuldades com os despedimentos foram apontadas, quer em 2014, quer em 2017, como o maior obstáculo à atividade das empresas neste domínio (3,10 e 3,17, respetivamente)”. Isto apesar das alterações aos custos com despedimentos que ocorreram durante o período do programa de ajustamento e que os tornaram mais baratos.

Ainda assim é no sistema judicial que estão os maiores entraves à atividade das empresas. “O sistema judicial foi aquele em que as empresas identificaram maiores entraves à sua atividade, com um indicador de custos de contexto de 3,68”, diz o INE, acrescentado que “o maior entrave continuou a ser a duração dos processos judiciais, considerada como um obstáculo elevado ou muito elevado para a atividade de 49% das empresas“.

Este inquérito do INE foi feito junto de 5.060 empresas entre março e abril de 2018. Foram consideradas válidas 4.248 respostas. “Em 2016, o volume de negócios destas empresas representou 40,3% do volume de negócios total das sociedades não financeiras em Portugal”, explica o instituto de estatística que decidiu incluir um novo entrave à vida das empresas nas perguntas relacionado com os custos associados ao cumprimento das obrigações de informação.

As respostas das empresas revelaram que 88,5% deste custo foi suportado com meios da própria empresa e 13,5% determinado pela subcontratação de terceiros. “A prestação e entrega de informação empresarial e fiscal registou o maior peso no custo médio anual com o cumprimento das obrigações de informação (37,5%), seguida das licenças, certidões, autorizações ou permissões (23,2%)”, mostram os dados conhecidos esta sexta-feira.

(Notícia atualizada)

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