CEO da Jerónimo Martins: “Não há banca portuguesa, acabou”

  • ECO
  • 28 Julho 2018

Pedro Soares dos Santos diz que hoje "seria impossível" contar com o apoio da banca portuguesa caso o grupo que lidera precisasse de apoio financeiro do setor.

Não há banca portuguesa, acabou”. Foi desta forma que Pedro Soares dos Santos, presidente executivo da Jerónimo Martins, reagiu perante a questão de que caso o grupo que lidera precisasse de apoio financeiro poderia contar com a banca nacional. O CEO do grupo que detém o Pingo Doce disse em entrevista ao Expresso, neste sábado, que “hoje seria impossível” ter esse tipo de apoio face ao perfil atual da banca.

Questionado sobre o apoio da banca às empresas portuguesas, Pedro Soares dos Santos afirmou que replicar o que aconteceu com o grupo que lidera no início dos anos 2000 quando se viu confrontado por dificuldades e foi apoiado “pelo engenheiro jardim Gonçalves [à época presidente do BCP]”, como fez questão de frisar, esse cenário “hoje seria impossível”.

O presidente da retalhista baseou a sua visão com a realidade atual do setor financeiro. “Não há banca portuguesa, acabou”, disse, acrescentando que “agora os bancos são todos estrangeiros, vivem de rácios que são decididos fora de Portugal” e lembrou ainda que ” temos uma CGD intervencionada”.

“Isso é muito difícil para os empresários, não só ao nível do apoio como também da relação pessoal”, contextualizou então Pedro Soares dos Santos.

O gestor também teceu críticas à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges sobre a EDP. “É o princípio do desmantelamento da EDP”, acredita, antecipando ainda que “pode ser o fim de mais uma grande empresa portuguesa“, dando nesse âmbito o exemplo da PT. Relativamente à empresa de telecomunicações “é um bom exemplo de decisões estratégicas mal tomadas”, disse.

Esta entrevista acontece depois de na passada semana, a retalhista ter apresentado o balanço das suas contas relativas ao primeiro semestre. Viu os seus lucros crescerem, mas não o suficiente para agradar aos investidores. As suas ações registaram uma queda acentuada em bolsa após essa divulgação.

Relativamente a esse tema, Pedro Soares dos Santos não encontra explicação. “Não consigo gerir o preço das ações nem as expectativas. O que é gerível é a solidez e a sustentabilidade dos resultados ao longo do tempo. Isso estamos a fazer. E também não consigo perceber porque é que as ações sobem aos 18 euros ou descem aos 12 euros…“, comentou.

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