Governo vai lançar concurso para novos comboios e desmente privatização da CP

O gabinete de Pedro Marques negou que esteja a ser ponderada a privatização de serviços da CP. Esclarece ainda que vai lançar um concurso internacional para desenvolver a empresa nas várias frentes.

“Fantasiosa” é a palavra usada pelo Governo para classificar uma eventual intenção de privatizar a CP. O gabinete de Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, desmentiu a manchete do Público deste domingo que dava conta que o Governo tinha deixado de fora o reforço do longo curso, colocando a possibilidade de tal resultar de uma eventual intenção de privatizar a CP. O ministério avança mesmo que vai lançar um concurso internacional para desenvolver a empresa nas várias frentes em que opera: serviços suburbanos, regionais e longo curso.

Num esclarecimento enviado às redacções, o gabinete de Pedro Marques afirma que CP e Governo estão a preparar o lançamento de um concurso internacional para aquisição de comboios que permita o desenvolvimento da empresa “nas várias frentes em que opera: serviços suburbanos, regionais e longo curso”.

“O lançamento desse concurso está previsto no Orçamento do Estado para 2018 e resulta de uma proposta apresentada pelo atual Conselho de Administração da CP, cuja concretização tem vindo a ser desenvolvida em coordenação com o Governo”, esclarece ainda o gabinete de Pedro Marques.

O Governo diz ainda que “tendo em conta a tramitação temporal normalmente associada a este tipo de aquisições, a CP e o Governo entenderam manter o programa de aluguer de material circulante a Espanha, de forma a suprir as necessidades de curto no serviço regional”. Acrescenta que “em simultâneo, a CP está a investir fortemente na manutenção do material circulante, através da reestruturação da EMEF, para a qual acaba de ser autorizado o recrutamento de 102 trabalhadores”.

Este desmentido surge depois de neste domingo, o Público ter escrito que o Governo tem travado várias soluções que poderiam melhorar o serviço de longo curso da CP. O jornal referia que o caderno de encargos da anterior administração da CP, liderada por Miguel Queiró, previa a aquisição de 35 comboios, dos quais dez para as ligações internacionais e para “o serviço de alta qualidade nacional”, mas que o Governo não deu seguimento a essa proposta, autorizando apenas a compra de 22 comboios para o serviço regional.

O Jornal associou essa recusa a uma eventual intenção de o Ministério de Pedro Marques em privatizar serviços de longo curso da CP, salientando que a liberalização do serviço ferroviário de passageiros terá aberto o mercado português às empresas estrangeiras, explica o jornal, nomeadamente, à Renfe, mas também à DB (através da Arriva), à SNCF e até a operadores portugueses de que a Barraqueiro é um exemplo.

O gabinete de Pedro Marques nega essa associação. “É completamente fantasiosa a notícia”, começa por dizer o comunicado, acrescentando ser “completamente fantasioso […] o cenário de privatização de qualquer atividade da CP que enquadra a notícia”.

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