CP: PSD fala em “falência operacional” e CDS em “colapso”. Governo responde: “Não há colapso nenhum”

  • Lusa
  • 6 Agosto 2018

O secretário de Estado das Infraestruturas considera que a oposição "está a criar um caso que não existe de todo".

O secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, rejeitou, esta segunda-feira, que a CP – Comboios de Portugal esteja “em situação de colapso”, considerando que a oposição PSD/CDS-PP está “a criar um caso que não existe de todo”.

“A oposição PSD/CDS-PP está a criar um caso que não existe de todo. Não há colapso nenhum, o que acontece são opções por parte da CP para garantir que há condições de transporte dignas e de qualidade”, disse o governante em declarações à agência Lusa.

Não há colapso nenhum, o que acontece são opções por parte da CP para garantir que há condições de transporte dignas e de qualidade.

Guilherme W. d'Oliveira Martins

Secretário de Estado das Infraestruturas

Em causa estão as alterações temporárias nos horários nas linhas de Cascais, Sintra, Norte e Oeste em vigor desde domingo, mas também a suspensão da venda dos bilhetes devido às temperaturas elevadas que se fizeram sentir no final da semana, cuja situação hoje já se encontra regularizada.

Esta segunda-feira, o CDS-PP exigiu explicações ao Governo sobre a “situação de colapso” na CP, admitindo antecipar a reunião da Comissão Permanente do Parlamento, prevista para setembro, se entretanto o ministro do Planeamento não der esclarecimentos públicos. Isto depois de, no domingo, o PSD também ter responsabilizado o Governo por esta situação.

Há uma “situação de colapso” nos transportes ferroviários com consequências nos horários, manutenção e número de comboios em funcionamento, afirmou o vice-presidente do partido Adolfo Mesquita Nunes, em conferência de imprensa conjunta com o líder parlamentar, Nuno Magalhães, na Assembleia da República, em Lisboa.

Guilherme d’Oliveira Martins rejeita falar em colapso: “Uma questão tem a ver com questões excecionais relacionadas com a meteorologia, opções técnicas de suspensão de bilhetes em alguns comboios e que está já ultrapassado”.

As questões estruturais “de fundo” da CP dizem respeito às alterações de horário nas linhas de Cascais, Sintra, Oeste. “Estamos a falar de alterações sazonais que têm a ver com as necessidades de manutenção da EMEF”, disse o governante, referindo que os horários retomarão a sua normalidade em setembro (dia 9) em Cascais, outubro (dia 14) em Sintra, e em novembro (dia 4) na Linha do Oeste, tal como aconteceu no passado, em 2015.

A oposição esquece-se que, quando esteve no Governo, o efetivo da EMEF reduziu-se drasticamente. Em 2010, o número de efetivos passou de 1.487 para 979 em 2015. Portanto houve um desinvestimento na EMEF, do ponto de vista do pessoal de manutenção, que este Governo está empenhado em retomar e regularizar para garantir que os passageiros e a CP tenha material circulante disponível”, disse.

Houve um desinvestimento na EMEF, do ponto de vista do pessoal de manutenção, que este Governo está empenhado em retomar e regularizar para garantir que os passageiros e a CP tenha material circulante disponível.

Guilherme W. d'Oliveira Martins

Secretário de Estado das Infraestruturas

Guilherme d’Oliveira Martins lembrou, a propósito, que na semana passada houve abertura de recrutamento de mais 112 trabalhadores para EMEF e que entre 2015 e 2017 foram recrutados mais 124. O governante sublinhou ainda que os índices de regularidade em todas as linhas “sem exceção”, urbanos, longo curso e regional, são superiores a 97%.

Há uma ideia errada de que não há comboios suficientes e que os passageiros estão a perder qualidade de serviço”, frisou.

Em declarações à Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da CP, José Reizinho, disse compreender a opção da empresa em suspender a venda de bilhetes, dado que se trata de material que não está preparado para operar com as temperaturas registadas na semana passada, mas sublinhou que deverá ser uma questão a ponderar no futuro.

Em relação às alterações nos horários, o responsável lamenta “a falta de investimento” no setor, referindo que a CP não tem capacidade de resposta, nem recursos humanos suficientes, provocando a degradação do setor ferroviário. “Se urgentemente o Governo não der diretrizes à administração da CP para aquisição do material e admissão de pessoas as coisas terão tendência a agravar-se”, disse.

Se urgentemente o Governo não der diretrizes à administração da CP para aquisição do material e admissão de pessoas as coisas terão tendência a agravar-se.

José Reizinho

Coordenador da Comissão de Trabalhadores de CP

Em julho, o Parlamento aprovou, por unanimidade, requerimentos do PSD e do CDS-PP para ouvir o presidente da CP e o ministro do Planeamento e das Infraestruturas na Comissão de Economia sobre a situação dos transportes ferroviários. Os dois requerimentos foram aprovados por unanimidade e ficou decidido que a audição do presidente da CP – Comboios de Portugal, Carlos Nogueira, deverá realizar-se antes da do ministro Pedro Marques, ambas depois das férias parlamentares.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CP: PSD fala em “falência operacional” e CDS em “colapso”. Governo responde: “Não há colapso nenhum”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião