Quantos quilos de lixo produz um português por dia?

Em plena discussão sobre aumento da reciclagem, combate ao plástico e redução de resíduos, o ECO foi tentar descobrir qual é a quantidade de lixo que os portugueses produzem por dia.

Atar o saco, retirá-lo do caixote e ir à rua despejar o lixo é uma tarefa comum do dia-a-dia dos portugueses. Todos têm de o fazer, embora uns com mais regularidade do que outros. Mas já pensou na quantidade de lixo que está a produzir diariamente? Prepare-se, porque o número é significativo…

O ECO fez a pergunta e encontrou resposta na mais recente edição do Relatório do Estado do Ambiente, disponível para consulta no Portal do Estado do Ambiente. Em média, cada português produz 1,32 quilos de lixo por dia. Este foi o valor apurado em 2017, que corresponde, ao final de um ano, a cerca de 483 quilos de lixo por pessoa.

Estes números confirmam o ligeiro aumento de produção de resíduos que se tem vindo a registar desde 2014, interrompendo a tendência de decréscimo que se verificava desde 2010. No total, no ano anterior, a produção de resíduos urbanos em Portugal continental foi aproximadamente 4,75 milhões de toneladas, mais 2,3% face a 2016. Da totalidade, 83,5% foram provenientes da recolha indiferenciada e 16,5% de recolha diferenciada, como é o caso do lixo nos ecopontos.

Ainda que tenha sido estabelecido o objetivo de dissociar a produção de resíduos do crescimento económico, o aumento registado de lixo produzido estará relacionado com uma melhoria da situação económica de Portugal, o que prova que a meta ainda não foi atingida.

Do ponto de vista da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, estes dados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer para separar a produção de resíduos do crescimento económico. “Com a retoma económica verificou-se uma alteração da tendência, que se tinha atingido durante os anos de crise. Tal demonstra que uma parte da redução da produção de resíduos se ficou a dever a fatores conjunturais (menor poder de compra) e não a fatores estruturais (alterações na forma de produzir e consumir)”, afirmou Susana Fonseca, membro da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, ao ECO.

Para a associação que se dedica a um sistema mais sustentável, são os segundos, os fatores estruturais, que podem concretizar a tendência de redução contínua de produção e consumo.

PERSU: exigências e dificuldades

Existem, de igual forma, outras metas presentes no Relatório do Estado do Ambiente que estão por cumprir. Entre elas, o aumento da preparação para reutilização, reciclagem e qualidade dos recicláveis, tal como a redução de resíduos urbanos em aterro. Até 31 de dezembro de 2020, Portugal deverá ainda ter alcançado uma redução mínima de produção de resíduos por habitante de 10% em peso, relativamente ao valor verificado em 2012, tal como um aumento mínimo global de 50% em peso relativamente à preparação para reutilização e a reciclagem de resíduos urbanos biodegradáveis.

Até ao final de 2020, o país deverá também alcançar uma redução de 35% da quantidade de resíduos urbanos depositados em aterro, face aos quantitativos produzidos em 1995.

Mas, com tanta meta, com pouco tempo e com os atuais dados sobre a situação, o cumprimento dos objetivos no prazo estabelecido levanta dúvidas. A ZERO considera que é impossível que Portugal cumpra as metas até 2020, mas acrescenta que o problema não está tanto no plano, nem nos portugueses ou na sua consciência.

A dificuldade estará na exigência do Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU), que se apresenta como um desafio. “O PERSU espelha as metas das diretivas europeias para esta área e que existem para promover a economia circular, ou seja, uma cada vez maior integração dos resíduos na economia, transformando-os em recursos utilizáveis e úteis”, referiu Susana Fonseca, que acompanha a área das sociedades sustentáveis e novas formas de economia.

Pela frente temos uma “perspetiva muito mais exigente, visto que as novas metas sobre reciclagem de embalagens, deposição em aterro e reciclagem de resíduos sólidos urbanos foram atualizadas recentemente e são um desafio, daí que o PERSU esteja agora em revisão”, acrescentou.

Três palavras: prevenção, reutilização, sensibilização

Agir do lado das políticas públicas é a principal solução que a ZERO apresenta. Medidas que passam pela adoção de soluções de prevenção e reutilização muito mais comuns, por exemplo ao penalizar o uso desnecessário de recursos, em particular dos descartáveis, independentemente do material. Também promover uma recolha seletiva de proximidade, preferencialmente porta à porta, que inclua a recolha seletiva de resíduos orgânicos e a promoção massiva de compostagem doméstica.

Aliado a tudo isto deverá estar presente a sensibilização. De acordo com Susana Fonseca, é tão importante como os incentivos financeiros, que podem ser “através do pay-as-you-throw, através dos sistemas de tara em relação aos produtos descartáveis ou através da promoção das soluções reutilizáveis, que devem ser mais atraentes para os cidadãos do que as soluções descartáveis”.

Quanto custa produzir uma bola de Berlim? Os portugueses bebem muita cerveja? Quanto ganha um motorista da Uber? E um presidente de junta? A quem é que Portugal deve mais dinheiro? 31 dias e 31 perguntas. Durante o verão, o ECO preparou a “Sabia que…”, uma rubrica diária para dar 31 respostas.

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