Dormidas reduziram em junho com queda de 5% dos hóspedes estrangeiros

No conjunto dos primeiros seis meses do ano, o número de hóspedes aumentou 2,6% para 9,6 milhões, enquanto as dormidas totalizaram 25,4 milhões. Valores representam um abrandamento.

Em junho, os estabelecimentos hoteleiros nacionais receberam 2,1 milhões de hóspedes e 5,8 milhões de dormidas, de acordo com os dados publicados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Enquanto as dormidas por parte de residentes no país registaram um aumento de mais de 3%, as dormidas de não residentes caíram mais de 5%, refletindo uma preferência por outros destinos como a Tunísia, o Egito ou a Turquia, que voltaram em força este verão. Com isto, as dormidas registaram uma quebra homóloga de 2,9%.

O número de hóspedes a passar pelos estabelecimentos hoteleiros da capital passou de 2,05 milhões em maio para 2,07 milhões em junho, um aumento de 1,02%. Desse universo, 767,3 mil residiam no país, enquanto 1,3 milhões eram oriundos de terras internacionais. Ou seja, 37,1% eram nacionais e 62,9% eram estrangeiros, de acordo com os dados do INE.

Em termos de dormidas, estas passaram de 5,45 milhões em maio para 5,79 milhões em junho, um aumento de 6,2%. Dessas dormidas, 1,62 milhões disseram respeito a hóspedes nacionais (28%), enquanto 4,17 milhões foram hóspedes estrangeiros (72%). Face a junho do ano passado, as dormidas na capital em junho registaram uma quebra de 2,9%, sobretudo devido à diminuição das dormidas dos hóspedes estrangeiros, que caíram 5,1%, mostrando um abrandamento no turismo durante esse mês.

Conforme explicou a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) ao ECO, “mais do que as baixas temperaturas deste verão em Portugal, as temperaturas atípicas que se fazem sentir no norte da Europa e na Europa central vêm claramente influenciar a escolha” dos turistas. “Muitos ingleses e alemães, mercados tradicionais nos destinos Sol e Mar, estão a preferir ficar no seu país e fazer turismo interno”, constata fonte oficial da AHP.

As dormidas em hotéis observaram uma ligeira queda de 0,9% face a junho do ano passado, embora representem um peso de 68,8% do total. Relativamente às restantes tipologias — hotéis/apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos, aldeamentos, etc. –, estas também verificaram descidas no número de dormidas, com destaque para os aldeamentos turísticos que caíram 7,6%.

Considerando o conjunto do primeiro semestre do ano, não se registam quebras, mas o setor dá claros sinais de desaceleração. Há um ano, tanto o número de dormidas como o número de hóspedes cresciam mais de 9%. Já entre janeiro e junho deste ano, o número de hóspedes aumentou 2,6%, para 9,6 milhões, enquanto as dormidas aumentaram apenas 0,5%, para 25,3 milhões.

Norte e Alentejo foram as únicas regiões com aumento de dormidas

Em junho, a evolução das dormidas foi diferente em cada região, mas o Norte e o Alentejo foram as únicas que observaram aumentos (+3,1% e +2,4%, respetivamente). Os maiores decréscimos homólogos foram registados no Centro (-7,9%) e na Região Autónoma dos Açores (-6,1%). Em termos de dormidas de residentes, estas aumentaram na maioria das regiões, refere o INE, com destaque para o Algarve (+8,5%) e, nas dormidas de não residentes, destacou-se o Alentejo (+7,3%) e o Norte (+3,4%).

Em termos semestrais, destacaram-se os crescimentos de 6,6% no Alentejo (com um peso de 3% nas dormidas totais acumuladas) e de 6,2% no Norte (com um peso de 13,8%).

A estadia média (2,8 noites) diminuiu para 2,9%, devido à quebra por parte de residentes (-0,2%) e dos não residentes (-3,1%). As maiores reduções aconteceram no Alentejo e Centro (-4,4% em ambas) e as maiores subidas foram na Região Autónoma da Madeira (5,26 noites) e Algarve (4,5 noites).

Apesar do abrandamento nos hóspedes e nas dormidas, os estabelecimentos hoteleiros continuam a aumentar as receitas. O rendimento médio por quarto disponível foi de 64,4 euros em junho, um aumento de 7,2% face ao mesmo mês do ano passado. A Área Metropolitana de Lisboa registou o valor mais elevado (96,1 euros). Durante esse mês, a evolução destes valores foi “globalmente positiva” entre as diversas tipologias, com destaque para as pousadas (+11,5%) e para os hotéis (+7,2%). Os proveitos totais da hotelaria aumentaram perto de 9% no primeiro semestre, ultrapassando os 1,5 mil milhões de euros.

Mercado britânico lidera dormidas

Os hóspedes britânicos são os que mais se deixam conquistar por Portugal, representando um peso de 24,4% do total de dormidas de não residentes mas, em junho, observaram uma redução de 9,8%. Já no primeiro semestre, o mercado britânico caiu em 8%. Atrás vem o mercado alemão, com um peso de 12,9% das dormidas dos não residentes, mas que também evidenciou uma redução de 10,5% em junho e 2,6% desde o início do ano.

Por sua vez, os hóspedes espanhóis (7,5% do total) são cada vez mais: aumentaram 1,5% em junho e 0,4% no semestre. Entre os cinco principais mercados emissores (Reino Unido, Alemanha, Espanha, França e Holanda), Espanha foi o único a crescer.

Ainda no mês de junho, destacaram-se os crescimentos dos mercados norte-americano (+15,9%) e canadiano (+14,9%). Em termos de semestre, o destaque vai para os mesmos mercados (+18,7% e +12%, respetivamente) e ainda para o brasileiro (+11,7%).

(Notícia atualizada às 12h28)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Dormidas reduziram em junho com queda de 5% dos hóspedes estrangeiros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião