Turismo abranda. Hóspedes e dormidas crescem abaixo dos dois dígitos no primeiro trimestre

Ao todo, Portugal recebeu 3,4 milhões de hóspedes no primeiro trimestre, que responderam por 8,8 milhões de dormidas. Efeito Páscoa justifica desaceleração.

O turismo continua a dar gás à economia, mas a um ritmo menos acelerado. No primeiro trimestre, período em que o produto interno bruto (PIB) nacional cresceu 2,8%, o melhor registo dos últimos dez anos, as dormidas e hóspedes cresceram abaixo dos dois dígitos, depois de, no mesmo período do ano passado, terem aumentado em torno dos 15%.

Ao todo, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a hotelaria nacional recebeu 3,4 milhões de hóspedes nos primeiros três meses do ano, que responderam por 8,8 milhões de dormidas. São números que correspondem a aumentos de 6,7% e 5,6%, respetivamente. No passado, o número de hóspedes tinham aumentado 14,9% e o de dormidas tinha subido 16%.

Contabilizando apenas o mês de março, o número de hóspedes ascendeu a 1,4 milhões, um aumento homólogo de 0,9%, e as dormidas ascenderam 3,7 milhões, uma quebra de 0,2% face ao mesmo mês do ano passado. É o reflexo do “efeito Páscoa”, que no passado decorreu em março e, este ano, em abril.

A justificar esta desaceleração está, sobretudo, o mercado nacional. As dormidas de residentes caíram 2%, para um total de 9,5 milhões de dormidas no primeiro trimestre, interrompendo a tendência de crescimento que se verificava até aqui, enquanto as de não residentes cresceram 9%, para 6,3 milhões.

A taxa de ocupação fixou-se assim nos 34,9% no primeiro trimestre, um aumento de 1,3 pontos percentuais. Já a estada média recuou 1%, para 2,57 noites.

Por outro lado, as receitas estão a crescer a um ritmo muito mais acelerado do que os restantes indicadores, fruto do aumento dos preços praticados pela hotelaria. Feitas as contas, os estabelecimentos hoteleiros faturaram 448,93 milhões de euros entre janeiro e março, um aumento de 13,5% face a igual período do ano passado. Cada quarto disponível rendeu à hotelaria 27,2 euros neste período, mais 12,3% do que em 2016.

Turistas brasileiros, polacos e americanos disparam

No arranque deste ano, todos os principais mercados do setor turístico nacional cresceram, à exceção de Espanha, um mercado “sensível” à Páscoa. Com a Páscoa em abril, as dormidas de espanhóis em Portugal afundaram 43,7% em março e 21,5% no primeiro trimestre.

O Reino Unido mantém-se como o principal mercado emissor, tendo aumentado as dormidas em 5,7% no primeiro trimestre e respondendo por mais de 20% do total de dormidas de não residentes neste período. Também as dormidas de alemães e franceses aumentaram, em 5,6% e 18,3%, respetivamente.

Mas os maiores crescimentos vêm de outras partes do globo. O mercado brasileiro disparou 60,9% no conjunto dos três primeiros meses do ano. Já o polaco e o americano, que tem sido um dos mercados de aposta do Turismo de Portugal e que beneficia do aumento das rotas da TAP para os Estados Unidos, cresceram 34,8% e 28,7%, respetivamente.

Notícia atualizada às 11h29 com mais informação.

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