As oito tendências do turismo para o Fórum Económico Mundial

  • Juliana Nogueira Santos
  • 30 Abril 2017

A organização avaliou o comportamento da indústria do turismo e destacou oito tendências que têm de ser tidas em conta por todos os envolvidos. A digitalização é uma delas.

O panorama da indústria do turismo está em constante mudança: os viajantes já não são os mesmos, as suas necessidades são cada vez mais vastas e a competitividade entre mercados e entre empresas é maior que nunca. Tendo isto em conta, o Fórum Económico Mundial analisou o comportamento da indústria entre 2015 e 2017 e identificou oito tendências que a irão afetar a curto, médio e longo prazo.

A organização pretende com isto providenciar dicas para que os operadores aproveitem da melhor forma os pontos fortes e melhorem, o mais depressa possível, os pontos fracos. E o caminho a seguir aponta para a digitalização e para a colaboração direta entre os governos e as empresas privadas…

Os turistas de ontem não são os de amanhã

Se antigamente viajar era um luxo que não era acessível a todos, hoje em dia, devido à diminuição dos preços praticados pelas operadoras e das barreiras fronteiriças, viajar transformou-se num bem quase essencial. Segundo as estatísticas do Fórum Económico Mundial registaram-se 1,24 mil milhões de chegadas internacionais em 2016, comparativamente com as 25 milhões de chegadas nos anos 50.

Os destinos favoritos também sofreram mudanças. Se antes a América do Norte e a Europa eram os continentes que recebiam mais turistas, mercados como Índia, Angola, Tailândia e Vietname estão a subir no top de preferências.

Com a classe média a encher a maior parte dos lugares nos aviões e os millennials a constituírem-se como uma nova geração de viajantes que quer descobrir outros sítios e outras culturas, é preciso criar uma cadeia de valor mais forte, que se centre no utilizador final e que consiga corresponder às expectativas deste.

Novos viajantes, o mesmo sistema

Ainda que os turistas se tenham tornado mais flexíveis, o mesmo não aconteceu com as infraestruturas e a burocracia. O Fórum Económico Mundial alerta para a existência de barreiras à mobilidade, como a dificuldade na obtenção de vistos e a burocracia nos próprios aeroportos, que “não nos deixam mais seguros, mas que dificultam o crescimento, a criação de emprego e a tolerância entre culturas”.

A organização aplaude soluções como os acordos regionais e propõe um modelo compreensivo de “viagem inteligente” que pressupõe a utilização de novas tecnologias para melhorar a experiência dos passageiros. Seriam então criados vistos, fronteiras e infraestruturas inteligentes que facilitem as viagens e, ao mesmo tempo, as tornem mais seguras.

Insegurança geopolítica é o novo normal

Desde o ataque às Torres Gémeas em 2001, os países e os operadores viram-se obrigados a reforçar as medidas de segurança em torno dos movimentos turísticos. Estima-se que desde esse ano até 2010 tenham sido investidos 7,4 mil milhões de dólares em melhorias.

Com turistas alertados para os riscos e dispostos a partilhar dados pessoais em troca de maior segurança nestes movimentos, o Fórum Económico Mundial afirma que a tecnologia tem de ser utilizada para reforço da cadeia de valor, começando pelo fator de segurança. A insegurança geopolítica e o terrorismo têm de ser vistos pelos operadores como fatores constantes e não como acontecimentos esporádicos, para o qual só se tomam medidas de resolução.

A organização propõe que se adote um sistema global, em que se avance para o desenvolvimento de fronteiras virtuais. Este novo sistema pede uma harmonização dos sistemas de inteligência e de partilha de informação, para que o que seja tido em conta à entrada de um país não sejam as considerações do país de origem, mas sim as características de cada viajante.

A quarta revolução industrial chegou para ficar

O setor da aviação tem acolhido com muita facilidade as inovações tecnológicas disruptivas e prevê-se que esta tendência se mantenha. Os próprios viajantes adotam já ferramentas inovadoras, como plataformas de booking e agregadores de voos e hotéis. Agora é preciso que este fenómeno se estenda a outras áreas, para que toda a indústria se mantenha competitiva.

Como já foi dito, a digitalização tem de chegar às fronteiras, aos sistemas de segurança e aos serviços de apoio ao cliente. O Fórum Económico Mundial garante ainda que a automatização em de chegar à mão de obra. Com isto em mente, prevê-se que a digitalização na aviação valorize em mais 305 mil milhões de dólares a indústria, permitindo assim aumentar os lucros e os benefícios para quem viaja.

Há empregos, mas onde está o talento?

O setor das viagens e do turismo emprega uma em cada dez pessoas em todo o mundo, com estudos a demonstrarem que, por cada 30 turistas que chegam a um destino, um novo posto de trabalho é criado. A influência socioeconómica da atividade não se pode negar, ainda assim, nem tudo é bonito e brilhante para quem quer trabalhar nesta indústria.

A imagem de uma formação insuficiente, agregada a uma carreira pouco atrativa e sem grandes oportunidades de progressão tem pairado sobre esta indústria, que se vê com dificuldades em atrair talentos, tanto para posições mais técnicas, como para cargos de administração. Segundo a organização, esta falha no recrutamento pode custar uma redução de 610 mil milhões de dólares no produto interno bruto global.

Para mitigar esta falha, a organização propõe uma parceria mais estreita entre o setor privado e o público para melhorar a oferta curricular nas universidades e criar programas de formação para garantir a sustentabilidade do mercado.

Sustentabilidade é um dever

Tem crescido entre aqueles que percorrem o mundo a consciência das repercussões locais e ambientais daquele que é apelidado de “turismo de massas”. Embora seja difícil medir quantitativamente o impacto das atividades turísticas, problemas como a utilização hídrica, a produção de resíduos, o consumo de energia e a deterioração do património natural e cultural já são notórios nos destinos mais populares.

Assim, será importante controlar não só as emissões de dióxido de carbono e a dependência do petróleo, dois problemas alocados à atividade aérea, mas também os problemas que podem surgir nos sítios de chegada, para que o turismo se torne cada vez mais sustentável.

Infraestruturas tornaram-se um obstáculo

O turismo tem desempenhado um papel muito importante na economia dos países. A prova disso está bem perto de nós, com os indicadores económicos portugueses a melhorarem cada vez mais, fruto dos milhares de turistas que vão chegando. Ainda assim, e no panorama global, o investimento no melhoramento e na construção de novas infraestruturas não tem sido proporcional a estes ganhos.

Os aeroportos já são pequenos demais, os estabelecimentos hoteleiros são poucos e os transportes públicos não aguentam com tantos utilizadores. As infraestruturas não são auxílios, mas sim obstáculos para aqueles que viajam.

O Fórum Económico Mundial alerta assim para a importância da manutenção das infraestruturas, para o diálogo entre governos e privados e para o estabelecimento de uma rede de infraestruturas sustentável e funcional, para que os países consigam dar conta da crescente procura.

Século XXI pede regulação adequada

Ainda que o turismo se tenha globalizado, o setor da aviação ainda está um passo atrás no que toca à regulação. Existem ainda restrições “antiquadas e protecionistas” que não permitem que as companhias aéreas efetuem certas operações financeiras, como procurar novos investidores e juntarem-se a outras empresas da área.

Assim, o Fórum Económico Mundial alerta para a necessidade de liberalização do mercado, não esquecendo as normas de segurança essenciais, para que o espaço aéreo se torne também num espaço globalizado.

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