Turquia aumenta tarifas sobre as importações de produtos dos EUA. Lira segue a recuperar

  • ECO
  • 15 Agosto 2018

Regulador do setor bancário anunciou um corte no limite de compra e vende derivados cambiais com bancos estrangeiros para 25% dos ativos do bancos. Lira segue a recuperar face ao dólar.

A Turquia aumentou esta quarta-feira as tarifas sobre as importações de uma série de produtos dos Estados Unidos, mais uma decisão que revela uma escalada do conflito entre os dois países da NATO.

“Dentro da estrutura do princípio da reciprocidade e em retaliação aos ataques económicos conscientes dos Estados Unidos foram aumentadas as taxas sobre importações de determinados produtos”, escreveu hoje o vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay, na sua página oficial da rede social Twitter.

De acordo com uma publicação no Diário Oficial, Ancara impôs taxas suplementares sobre as importações de produtos como o arroz, veículos, álcool, carvão e cosméticos. De acordo com os cálculos da Bloomberg as novas tarifas cobrem importações que ascendem a cerca de mil milhões de dólares, ou seja exatamente o mesmo montante em causa nas exportações de aço e alumínio turcas alvo das tarifas impostas por Donald Trump, a semana passada, o que sugere uma resposta taco a taco.

As tarifas em alguns dos produtos mais do que duplicaram de acordo com a listagem publicada no boletim oficial turco:

  • Arroz: As tarifas mais do que duplicaram para 50% contra os anteriores 20%
  • Bebidas alcoólicas: As tarifas mais do que triplicaram. Eram de 40% e passaram a ser de 140%
  • Carvão: As taxas passaram de 10 para 14%
  • Produtos de beleza e maquilhagem: As tarifas duplicaram de 30% para 60%
  • Alguns tipos de papel: As tarifas duplicaram de 25% para 50%
  • Automóveis: As tarifas mais do que triplicaram. Eram de 35% e passaram para 120%.

No início de agosto, a Administração norte-americana avançou com sanções contra dois ministros turcos (das pastas do Interior e da Justiça) para pressionar a libertação de um pastor protestante norte-americano (Andrew Brunson) detido desde outubro de 2016 em território turco por acusações de “terrorismo e espionagem”. O jornal turco Hurriyet avança esta quarta-feira que o recurso interposto pelo advogado de Brunson foi rejeitado pelo tribunal em Izmir, o que implica que o pastor terá de permanecer em prisão domiciliária. Contudo, o advogado espera que um tribunal superior possa revogar a decisão.

Mais recentemente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a duplicação das tarifas do alumínio e do aço turcos. Perante a decisão de Washington, a moeda turca (lira turca) entrou numa espiral descendente para novos mínimos de sempre, tendo já desvalorizado em mais de 25%.

Mas desde que o banco central injetou liquidez no sistema financeiro, conseguiu travar as perdas. Esta manhã a lira segue firme nos 5.9652 liras por dólar, depois de os reguladores terem impostos novas restrições de modo a impedir que os bancos de comprar e vender derivados cambiais com bancos no estrangeiro o que evitará que os investidores especulem contra a lira.

O regulador do setor bancário BDDK anunciou esta quarta-feira que está a cortar o limite de compra e vende derivados cambiais (forex swap, transações spot e futuros) com bancos estrangeiros para 25% dos ativos do bancos. No domingo esse limite tinha sido fixado em 50%. Além disso, a taxa vai ser calculada diariamente e as novas transações não serão autorizadas ou renovadas até ser atingido um terminado fixado em 25% do capita do banco. Com estas regras torna-se mais difícil aos bancos comprarem e venderem derivados cambiais.

Segundo Paul McNamara, diretor de investimentos de na gestora de ativos GAM disse que esta restrição vai ajudar a lira a recuperar.

Mas também vai dificultar a vida aos investidores turcos que tentarem protegerem-se, frisou o investidor Martin Enlund, ambos citados pelo The Guardian.

Já o economista Jens Bastian teme as perspetivas financeiras da Turquia e frisa que é necessário não se deixar enganar pela acalmia momentânea que se vive atualmente, porque se está perante “uma crise clássica de moeda e dívida”.

(Notícia atualizada com mais informação às 15h32)

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