António Costa: “Não é por ser ano eleitoral que vamos pôr em causa o rigor orçamental”

"Não queremos ganhar [as legislativas] a qualquer custo", diz António Costa. Defende que não é por causa das eleições que vai pôr em causa o rigor da gestão das contas públicas.

Na Festa de Verão do partido, no Parque 25 de Abril, em Caminha, António Costa olhou para o passado recente, destacando os sucessos do seu Executivo, isto quando se comemoram os 1.000 dias da solução governativa suportada pelas esquerdas. Sublinhou o crescimento da economia com uma política de aumento dos rendimentos dos portugueses, mas sem pôr em causa o rigor orçamental. E esse rigor, garante, vai manter-se no Orçamento do Estado para 2019.

“Ninguém pense que por ser ano eleitoral vamos pôr em causa o rigor orçamental” na proposta de OE para 2019″, disse Costa na sua intervenção na Festa de Verão, transmitida pela RTP3. Não queremos ganhar a qualquer custo”, salientou o socialista. “Os portugueses não votam em quem ponha em causa a sustentabilidade das contas publicas”, lembrou o atual primeiro-ministro, olhando para as legislativas do próximo ano.

Costa defende que o próximo OE “vai dar continuidade às boas politicas” adotadas pelo seu Governo, ou seja, procurando continuar a aumentar o rendimento dos portugueses, mas sem colocar em causa as contas públicas. Entre as “boas políticas”, notou que “98% das pensões vão subir porque vamos crescer mais de 2%; Os apoios sociais vão aumentar; vamos continuar a melhorar as condições da função pública com as progressões; e Vamos dar continuidade ao investimento na saúde, educação e infraestruturas”, disse.

"Ninguém pense que por ser ano eleitoral vamos pôr em causa o rigor orçamental. Não queremos ganhar a qualquer custo.”

António Costa

“É possível dar continuidade a esta politica? Sim. Claro que sim. Quem duvidou, tem aí a prova”, atirou. “É preciso continuar as políticas. Não podemos estragar o que já conseguimos. Não podemos por em causa a estabilidade política, nem ter uma estão orçamental irresponsável”, disse, salientando que “ter uma boa gestão orçamental não é de esquerda nem direita, é governar bem”. E deixou a garantia: “Não deixarei o país pior do que encontrei. Deixarei muito melhor”.

Interior, inovação e demografia em foco

Aproveitando o palco da Festa de Verão, António Costa concretizou algumas medidas que vão estar na proposta de OE para 2019 que será entregue até meados de outubro na Assembleia da República que visam “continuar a aumentar a riqueza” do país. Interior, inovação e demografia foram três dos pontos focados pelo socialista, confirmando algumas das informações que têm vindo a ser reveladas pela imprensa.

Começando pelo interior, Costa salientou que é preciso colocar estas regiões “ao serviço do crescimento da economia”. “Queremos ter lá [na proposta de OE para 2019] as medidas do Conselho de Ministros de 14 de julho”, estando entre elas a baixa do IRC para empresas que criem emprego no interior, um aumento das verbas comunitárias destinadas ao interior, mas também, salientou, com uma nova descida das portagens naquelas regiões para os veículos comerciais.

Ainda sobre o interior, Costa lembrou que “para desenvolver as regiões de fronteira que estamos a fazer o maior investimento ferroviários do século na ligação de Sines a Badajoz”.

No que respeita à inovação, “temos de apostar na ciência, cultura e educação. Por isso, “no próximo ano vamos ter o maior orçamento de sempre na Cultura. A ciência vai ter o maior aumento orçamental no conjunto das áreas. E vamos continuar a investir na educação, com particular atenção ao ensino profissional”, afirmou, confirmando o que tinha já sido avançado pelo Público.

Por último, e antes de pedir um PS mais forte nas próximas eleições, tanto nas europeias, legislativas e da Madeira, Costa sublinhou a urgência de “resolver e enfrentar o nosso desafio demográfico. Precisamos de mais pessoas“, atirou. Nesse sentido, confirmou o que o Expresso já tinha revelado. “No próximo OE vamos propor que todos os que querem regressar em 2019 e 2020, que tenham partido em 2015, fiquem a pagar metade da taxa de IRS nos próximos três a cinco anos“, disse. E também a possibilidade de deduzir, também no IRS, um conjunto de custos de regresso e de instalação em Portugal.

(Notícia atualizada às 18h53 com mais informação)

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