CP encolhe prejuízos para 55 milhões no primeiro semestre

A transportadora ferroviária beneficiou do aumento das receitas e da melhoria do resultado financeiro. A reposição das progressões e o aumento do trabalho extraordinário custaram quase 5 milhões.

O grupo CP – Comboios de Portugal registou prejuízos de 55,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, o que representa uma melhoria face às perdas de quase 58 milhões que reportava no mesmo período do ano passado. A transportadora ferroviária beneficiou do aumento das receitas e da melhoria do resultado financeiro.

Os resultados foram comunicados, esta terça-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “Para esta evolução, num cenário de ausência de indemnizações compensatórias e de contratualização do serviço público, contribuiu essencialmente o crescimento dos proveitos de tráfego e a melhoria do resultado financeiro, motivada pela diminuição do passivo financeiro da empresa, ainda que parcialmente compensados pelo acréscimo de gastos com pessoal, em função, nomeadamente, do impacto da reposição das progressões, da revisão do regulamento de carreiras e do acréscimo de trabalho extraordinário”, justifica a empresa no relatório e contas do primeiro semestre.

Neste período, a CP transportou mais de 62 milhões de passageiros, o que corresponde a um aumento de 3,2% face ao primeiro semestre de 2017. O valor fica, ainda assim, ligeiramente abaixo do que a empresa esperava conseguir. Já os proveitos do tráfego cresceram a um ritmo mais acelerado, para um total de 124,7 milhões de euros entre janeiro e junho, mais 5% do que há um ano.

“Estes resultados refletem a continuada dinâmica comercial da empresa, encontrando-se, no entanto, impactados pelos diversos constrangimentos que afetaram a operação ferroviária no período em análise e que originaram uma degradação da qualidade do serviço prestado”, refere a CP. Em causa, detalha, estão “o agravamento das condições da infraestrutura, as greves ocorridas e o aumento da taxa de indisponibilidade do material, por falta de capacidade produtiva da EMEF”.

Estado entra com mais dinheiro em setembro

A contribuir para a melhoria dos resultados esteve também a diminuição dos encargos com juros em 2,3 milhões, para um total de 36,7 milhões. Para além disso, o grupo reduziu a dívida em 12,7 milhões de euros no final de junho, resultado, sobretudo, da amortização de empréstimos ao Banco Europeu de Investimento (BEI). A dívida da CP ascendia, em junho de 2018, a 2,6 mil milhões de euros.

A CP deverá ainda contar com mais dinheiro a curto prazo. No relatório e contas, a empresa recorda que o Estado fez um aumento de capital no valor de 22,9 milhões de euros em fevereiro. Estava ainda previsto que fosse feito uma nova injeção de 32 milhões em junho; contudo, nesse mês, o Estado só fez aumento de capital no valor de 14 milhões.

A CP prevê agora que os 18 milhões que faltam entrem em setembro.

Progressões e trabalho extraordinário custam 5 milhões

Em sentido contrário, a penalizar os resultados da CP esteve o aumento dos gastos com pessoal, que, no primeiro semestre, totalizaram 65,4 milhões de euros, mais 4,6 milhões do que era registado no primeiro semestre do ano passado.

Este agravamento decorre “essencialmente da reposição das progressões, da implementação de acordo com as organizações representativas dos trabalhadores sobre o regulamento de carreiras e ainda do acréscimo do trabalho extraordinário e outros abonos“.

Notícia pela última vez atualizada às 19h34 com mais informação.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CP encolhe prejuízos para 55 milhões no primeiro semestre

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião