Marques Mendes: Desconto nos transportes é injusto mas “tem pernas para andar”

Comentador diz que medida que inclui novos passes sociais é boa ideia e que o Governo tem "grande entusiasmo". Deverá avançar em Lisboa e no Porto, garante.

Elogia a ideia mas não a possibilidade de ela passar para o Orçamento do Estado. Marques Mendes diz que as mudanças anunciadas por Fernando Medina, em entrevista ao Expresso, que dão conta de novos passes sociais para utilização dos transportes nos 18 municípios da Grande Lisboa são uma medida injusta para o resto do país. Mas que, no entanto, “vai ter pernas para andar“.

No seu habitual comentário de domingo, Marques Mendes disse que não faz sentido incluir a medida no Orçamento do Estado por uma questão de justiça.

“É uma boa medida, o problema é quem paga. Porque é um problema de justiça, fundamentalmente. O princípio de beneficiar o pagador, com certeza. Mas um português de Bragança, que nunca na vida usou ou vai usar os transportes públicos da Grande Lisboa, tem de pagar?”, questionou.

“Quando eu vi a notícia, questionei-me se também seria para o Porto. Mas informei-me. Esta matéria está a ser trabalhada no Governo no sentido de aplicar a medida em Lisboa e Porto. E há grande entusiasmo da parte do Governo, que tem condições para avançar”, disse ainda, acrescentando que “estamos a viver uma espécie de período de forrobodó orçamental”.

Este sábado, em entrevista ao Expresso, Fernando Medina dizia que já tinha sido entregue ao Governo um pedido para a integração de medidas para uma revolução nos transportes na Grande Lisboa. A medida, que inclui descontos nos passes dos transportes públicos, conta com o apoio dos autarcas dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e custará ao Estado, se for integrado no Orçamento do Estado, 65 milhões de euros por ano.

Outro dos temas falados esta noite, na Sic, foi o discurso de Rui Rio no Pontal. Marques Mendes elogiou a primeira parte do discurso, referindo que Rio perdeu atenção enquanto oposição quando se focou nas críticas internas. “Acho que o discurso tem uma parte muito boa até e outra menos boa, nos 33 minutos. A primeira parte, um discurso de oposição, muito bom porque é acutilante, toca os temas do país, os números da economia, os incêndios. Este é o discurso mais duro que Rio alguma vez fez. Aqui há uma mudança”, avaliou. Segundo Marques Mendes pode ser resultado do partido de Santana, das críticas internas”, disse.

Sobre as críticas, “como qualquer comentador, gosto de ser notado”. “Para um dirigente político não é propriamente o melhor caminho”, adicionou. “A parte menos boa é a parte em que vira o discurso, pedante, e em que responde aos adversários internos. E isto é um erro de principiante. Porque basta olhar para os jornais para ver que os títulos são as críticas internas. (…) “As pessoas não querem saber das tricas internas”.

Já sobre o discurso de Catarina Martins, que também falou este domingo a propósito da rentrée política do Bloco, Marques Mendes disse que o discurso da líder bloquista foi “normalíssimo, sobretudo com um caderno de encargos relativamente ao orçamento e repetindo as críticas habituais ao Governo”. Além disso, alertou para uma “rentrée frouxa do Bloco de Esquerda”. “O discurso é o mesmo mas a credibilidade não é a mesma porque depois do caso Robles, o Bloco de Esquerda perdeu força e credibilidade. O crescimento estancou, e esse é um problema do presente. E acho que, no futuro, se António Costa ganhar, não tiver maioria absoluta e não depender de dois parceiros como hoje, eu acho que vai preferir o PCP ao Bloco de Esquerda. Eu acho que ele consegue negociar pontualmente com Jerónimo de Sousa porque tem melhor relação com ele do que com os dirigentes do Bloco”, disse.

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