E se a Itália sair do euro? Dívida aumentaria ainda mais, alerta Vítor Constâncio

Sair do euro não seria positivo para Itália. Na verdade, deixar a moeda única seria sinónimo de agravar a dívida do país, colocando-o numa situação "muito frágil", alerta Vítor Constâncio.

Vítor Constâncio não tem dúvidas: se a Itália deixar o euro, não verá os seus problemas resolvidos, mas acentuados. Em entrevista ao Corriere della Sera (conteúdo em italiano), o antigo vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) considera que tal decisão resultaria num agravamento da dívida italiana e deixaria o país numa situação “muito frágil”.

“Se a Itália deixar o euro, a sua nova moeda sofrerá de volatilidade, ataques especulativos e desvalorizações”, considera o português. Segundo explica Constâncio, o Governo italiano “teria de emitir dívida em moeda estrangeira de modo a atrair investidores”, o que — tendo em conta o cenário cambial já referido — resultaria numa agudização dos problemas de dívida desse país. Isto numa Itália cuja economia já é atualmente caracterizada pela sua “alta dívida pública”, que ronda os 132% do PIB.

Apesar do forte setor industrial italiano e do excedente externo do país, com a saída do euro, a “incerteza acabaria por prevalecer, o que prejudicaria os investimentos e o emprego”, adianta ainda o ex-número dois do BCE.

“Um país como este, com dívidas elevadas, estaria no centro das suspeitas do mercado, ficaria sujeito à fuga de capitais e ao colapso cambial. O país ficaria uma situação frágil, na qual gerir uma moeda nacional não seria simples“, sublinha Constâncio.

O economista salienta também que com a desvalorização da nova moeda italiana, os bens importados ficariam mais caros, o que prejudicaria as cadeias de produção e aumentaria os custos desses processos, o que tornaria a economia menos competitiva, comprometendo “qualquer vantagem aparente” implicada na adoção de uma outra moeda que não o euro. “Nesse ponto, a inflação aumentaria e teríamos um ciclo vicioso de desvalorizações recorrentes. Se fosse fácil, todos tentariam”, nota o português.

Já quanto à recente degradação conjuntural de Itália, Vítor Constâncio explica que a mudança de Governo em Itália e a incerteza quanto às suas políticas (nomeadamente no que diz respeito à continuação na moeda única) teve consequências negativas notórias. “Por este motivo, é importante o compromisso das autoridades italianas de permanecer no euro e respeitar as regras. É uma questão política”, conclui o economista.

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