“Momento da verdade” das negociações do Brexit marcado para outubro

Donald Tusk subiu o tom às negociações do Brexit. O presidente do Conselho Europeu defendeu, esta quinta-feira, que o acordo para o divórcio tem de estar fechado até outubro.

O acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia tem de estar fechado até ao próximo mês. O prazo foi indicado, esta quinta-feira, pelo presidente do Conselho Europeu, à saída de uma reunião informal com Chefes de Estado e Governo. Donald Tusk rejeitou as propostas apresentadas por Theresa May para o comércio e impôs outubro como “momento da verdade das negociações do Brexit”.

“Apesar de haver elementos positivos na proposta apresentada pelo Governo britânico, o quadro sugerido para a cooperação económica não vai funcionar“, sublinhou o político, em Salzburgo, Áustria. Donald Tusk apontou, neste sentido, o Conselho Europeu de outubro como o “momento da verdade” para o acordo do divórcio em causa, referindo que espera, até lá, o “máximo progresso e resultados”.

Se o encontro marcado para o próximo mês for coroado com o aperto de mãos da concordância, deverá ser depois convocada uma reunião extraordinária em novembro (a 17 e 18) “não de emergência, mas para pôr um ponto final” nesta matéria, adiantou ainda o político,

Também esta quinta-feira, o presidente da Comissão Europeia fez questão de reforçar (mais uma vez) que está preparado para que não se chegue a um acordo com o Reino Unido.

Por cá, o primeiro-ministro assinalou que já foram feitos “progresso reais” nas negociações com o Executivo de Theresa May, reforçando que se têm feito “avanços positivos” no sentido de um acordo.

Também Angela Merkel admitiu, na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro, que tem sido feito um “progresso substancial”, nesta matéria. Ainda assim, a chanceler alemã realçou que há uma “grande parte do trabalho” relativo às relações comerciais que está por fazer, noticia o Bloomberg.

May reitera: ou há um bom acordo ou não há nenhum

Theresa May mostra-se desapontada com má receção do seu plano para o Brexit e reforça: ou há um bom acordo para o Reino Unido ou não há nenhum.Jasper Juinen/Bloomberg

Do outro lado da mesa das negociações, a primeira-ministra britânica insistiu repetidamente na defesa do plano apresentado pelos britânicos durante a reunião desta tarde, avança o The Guardian.

A dez dias da encontro anual do partido do qual é líder, Theresa May esperava um acolhimento mais carinhoso ao seu plano, de modo a mitigar as pressões que tem sentido, mas tal não aconteceu. A chefe do Executivo acabou, assim, por criticar Donald Tusk por usar o prazo em causa como “tática de negociação”.

Quanto às futuras relações comerciais com a União Europeia, Theresa May defendeu uma dinâmica sem “atritos”, o que, disse, só seria possível se se seguisse o plano apresentado pelo seu Governo.

Já no que diz respeito à fronteira entre as Irlandas — um dos tópicos mais sensíveis destas negociações —Theresa May garante que apresentará uma contraproposta em breve para que os cidadãos da Irlanda do Norte mantenham a normalidade das suas atividades comerciais.

Apesar de se mostrar aberta a continuar as negociações, a primeira-ministra deixou claro, mais uma vez, que “se não houver um acordo que agrade o Reino Unido, não haverá nenhum acordo”.

A propósito, o Presidente francês aproveitou a ocasião para deixar um recado aos que apelam a a uma saída sem acordo da União Europeia: “Quem diz que a vida será fácil sem a Europa, que tudo ficará bem e que a saída trará muito dinheiro para casa é mentiroso”. Emmanuel Macron criticou o plano apresentado pelo Reino Unido e pediu aos restantes Estados-membros que se mantenham fortes e unidos contra as concessões exigidas por May.

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