Banco de Portugal vê investimento a crescer menos de metade este ano

O banco central mantém a previsão de crescimento do PIB em 2,3% para este ano. Porém, considera que a economia vai crescer mais à custa do consumo privado e menos graças ao investimento e exportações.

O Banco de Portugal manteve a previsão de crescimento do PIB em 2,3% para este ano, mas está mais pessimista quanto ao desempenho do investimento total da economia face a junho quando apresentou previsões pela última vez. A instituição liderada por Carlos Costa, que partilha a mesma previsão para a evolução do PIB com o Governo, considera que o investimento é uma peça-chave para o reforço do potencial de crescimento da economia.

De acordo com o Boletim Económico de outubro, publicado esta quinta-feira, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deverá crescer este ano 3,9%, depois de, em 2017, ter registado um acréscimo de 9,2%. Isto significa que, no conjunto, o investimento público e privado vai crescer apenas 42% do aumento observado no ano anterior. Em junho, quando a instituição apresentou as últimas previsões, o Banco via o investimento a crescer menos do que em 2017, mas a um ritmo igual a 63% do verificado no ano anterior.

Para esta desaceleração mais acentuada contribuíram perspetivas piores quanto ao setor da construção. “O investimento residencial abrandou neste período (primeiro semestre), refletindo parcialmente as condições meteorológicas adversas no primeiro trimestre do ano. A desaceleração da FBCF em construção estará influenciada também pelo efeito base do forte aumento das obras públicas em 2017”, escreve o Banco de Portugal.

No boletim, o Banco de Portugal considera que “o investimento [público], mais uma vez, está a crescer abaixo do previsto”. No Programa de Estabilidade, o Governo apontava para um aumento de 28,7%, mas, no primeiro semestre, o crescimento do investimento público foi de apenas 6,3%. Ainda assim, regista-se um aumento face ao ano anterior.

A revisão em baixa do investimento levou o banco a atualizar a previsão de evolução das importações. Em junho, era esperado um crescimento de 5,7% e agora de 5,1%.

Também quanto às exportações, o banco central está menos otimista. As vendas de bens e serviços devem crescer 5% este ano, o que compara com 7,8% verificados em 2017. Em junho, o Banco de Portugal via as exportações a desacelerar para 5,5% — menos do que agora em outubro. Ainda assim, as exportações continuam a registar ganhos de quota de mercado.

Por outro lado, o Banco considera que o consumo privado vai crescer mais do que o previsto em junho.

O novo quadro de projeções do Banco de Portugal — que atualiza os números apenas para 2018 deixando para dezembro a atualização da projeção para o próximo ano, já com informações novas do Orçamento do Estado para 2019 — revela assim que a economia portuguesa vai crescer este ano menos do que em 2017, quando o PIB subiu 2,8%.

Porém, comparando com as previsões do Banco Central Europeu, Portugal crescerá mais do que a Zona Euro (0,3 pontos percentuais acima).

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