Orçamento do Estado eleitoralista? Medidas “têm reflexos eleitorais”, diz Marcelo

Horas depois de ser entregue a proposta do Orçamento do Estado para 2019, Marcelo diz que é "possível" que esta contenha medidas eleitoralistas.

Horas depois de o Governo ter apresentado a proposta para o Orçamento do Estado (OE) para o próximo ano, Marcelo Rebelo de Sousa diz ser “possível” que as medidas incluídas neste documento sejam eleitoralistas, defendendo que, pelo menos, “têm reflexos eleitorais”.

Para o Presidente da República, é impossível que o próximo ano não seja contaminado pelo clima de eleições. “Isso é impossível deixar de acontecer. Até pelo contrário, porque o clima eleitoral começou um pouco mais cedo. É inevitável porque houve uma antecipação das eleições europeias para o final de maio e há uma sequência entre eleições europeias e legislativas”, disse Marcelo aos jornalistas, esta terça-feira.

É inevitável que todos os partidos estejam a pensar em eleições e que, por isso, não tenham nem congressos nem eleições internas durante este período e concentrem as suas campanhas a pensar nos atos eleitorais do ano que vem”, acrescentou.

Questionado se o OE é imune a esse cenário, Marcelo respondeu que, de todas as propostas que analisou, “além de uma procura de justiça social, acrescida com a folga que o crescimento económico e que a gestão orçamental permitem, é evidente que cada qual tenta apresentar propostas diferentes, quer quem apoia o Governo, quer quem está na oposição”. Mas, embora não afirme que sejam “propostas a pensar só em eleições”, defende que, “naturalmente, têm reflexos eleitorais”.

Sobre a possibilidade de um Orçamento que reduz o défice e a dívida conter medidas eleitoralistas, o Presidente da República não descartou essa hipótese: “É possível utilizar folgas que vêm do crescimento económico, da redução do peso dos juros da dívida pública e, em geral, da gestão orçamental para ir mais longe no conjunto de despesas, nomeadamente sociais. Mas sim, é possível. Penso que esse é o exercício que está retratado neste OE, mas só posso ter uma noção concreta quando o tiver recebido“, respondeu.

Analisando a proposta entregue esta segunda-feira na Assembleia da República, Marcelo diz ser “prematuro estar a formular uma opinião definitiva”. No entanto, sublinhou que sempre acreditou na facilidade do Orçamento ser aprovado. “Para mim era uma evidência, mas hoje parece que toda a gente diz isso”, rematou.

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