Como é que a inteligência artificial pode ajudar na igualdade de género no trabalho?

Igualdade de género pode dar muitos milhões às economias. E a inteligência artificial pode ser a chave para ajudar as empresas a alcançarem esse objetivo.

Nos Estados Unidos da América, a igualdade de género no local de trabalho, que inclui a remuneração igual para ambos os sexos e a representação igual em todos os níveis das organizações, poderia ser um fator valorizador para a economia do país. Na próxima década, a igualdade poderia adicionar entre 2,1 e 4,3 biliões de dólares ao Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com a Fast Company (acesso livre, conteúdo em inglês).

O problema, segundo as estimativas sugeridas pelo U.S. Congress Joint Economic Committee, é que seriam precisos 40 anos para alcançar essa meta, o que, para Katica Roy, é demasiado tempo.

Katica Roy é a CEO da Pipeline Equity e quer ver acelerar todo o processo, rumo à igualdade. Como? Através da inteligência artificial (IA). Foi com esse propósito que fundou a Pipeline, uma empresa de software que usa a IA para ajudar outras empresas a aumentarem os seus resultados financeiros, através de medidas que promovem a igualdade de género.

A maneira como tudo isto funciona está relacionada com os momento em que, numa empresa, é preciso analisar desempenhos, contratar, promover ou decidir salários. É aqui que entra em ação a Pipeline, que faz uma análise dos dados internos da força de trabalho da empresa e, seguidamente, faz algumas recomendações, sempre com o intuito de ajudar a combater a lacuna ao nível da igualdade.

A base de clientes da Pipeline já conta com grandes empresas, como a cadeia americana de restaurantes Red Robin, mas também regista empresas de menor dimensão, como, por exemplo, a SendGrid. Em comum, todas têm o investimento que estão a fazer para alcançar a igualdade de género em contexto laboral.

O retorno, contudo, “não é mágico”, diz Roy. “Não acontece durante a noite”, em média leva cerca de três anos para que uma empresa veja retorno, em virtude da adoção das recomendações. Embora a CEO da Pipeline não tenha divulgado número exatos, avançou que, atualmente, as empresas que integram a sua base de clientes aceitam cerca de 30% das recomendações da plataforma.

Quanto ao pagamento igual entre sexos, que é um fator de grande peso, Roy reforça que há ainda outros aspetos de grande relevância. “A questão principal é a igualdade de oportunidades”, uma condição determinante para que as mulheres possam progredir nas suas carreiras profissionais.

Serviços públicos e tecnologia. Aqui é onde há mais mulheres CEOs

A FactSet analisou a composição do conselho de administração e da liderança das empresas do índice Russell 3000 e concluiu que a percentagem de empresas sem qualquer mulher no conselho desceu para 18%. Conselhos exclusivamente femininos existem em apenas 14 empresas e com uma representação igualitária em termos de género a FactSet apurou 22 empresas.

No ano passado, apenas 143 empresas no Russell 3000 tinham uma CEO mulher e, agora, o número subiu para as 151. As empresas de serviços públicos e as do setor de tecnológico são aquelas onde a probabilidade de encontrar uma CEO mulher é mais elevada, 11,1% e 2,4%, respetivamente.

De todas as empresas do Russell 300, a Travelzoo é a que tem maior número de mulheres no seu conselho de administração, cerca de 80%. Trata-se de uma agência de viagens, que publica na internet, não só, ofertas de viagens, mas também de entretenimento e empresas locais, como restaurantes e spas.

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