Governo vai lançar app para vender dívida pública às famílias

Primeiro era apenas nos CTT, depois passou a poder subscrever-se os produtos do Estado através das Lojas do Cidadão. Agora, o Governo quer disponibilizar os títulos de dívida nos smartphones.

Investir em certificados vai ficar ainda mais fácil. Depois dos balcões dos CTT, mas também das Lojas do Cidadão, o Governo quer passar a disponibilizar os produtos do Estado nas plataformas eletrónicas. Ao ECO, Ricardo Mourinho Félix revela que está a ser equacionado o lançamento de uma aplicação para smartphones.

“Desde há precisamente um ano os certificados de aforro e os certificados do Tesouro [os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento] passaram a estar disponíveis nas Lojas do Cidadão”, diz o secretário de Estado das Finanças em entrevista escrita realizada no âmbito do Dia Mundial da Poupança.

"Queremos continuar a dinamizar outros canais de comercialização dos produtos de poupança do Estado e isso pode passar por plataformas eletrónicas, com versões para aplicações móveis.”

Ricardo Mourinho Félix

Secretário de Estado das Finanças

Houve uma alteração nos canais de venda que, contudo, não ficará por aqui. “Queremos continuar a dinamizar outros canais de comercialização dos produtos de poupança do Estado e isso pode passar por plataformas eletrónicas, com versões para aplicações móveis“, revela Mourinho Félix.

O Estado olha, assim, para os smartphones, admitindo o lançamento de uma app que permita agilizar o processo de investimento nestes dois títulos, seguindo o exemplo dos bancos que, além de poupanças, têm vindo a apostar nas suas aplicações para comercializarem tanto crédito ao consumo como à habitação.

Taxas mais altas? Não

Agilizando o processo de investimento, o Governo espera conseguir atrair mais dinheiro da poupança das famílias. Mas um fator determinante para o conseguir é a remuneração oferecida. E. nesse ponto, Ricardo Mourinho Félix não antecipa quaisquer alterações aos juros oferecidos.

Questionado sobre as baixas taxas dos certificados de aforro e dos CTPC (que têm um juro médio anual de 1,35% durante sete anos, a que se soma um prémio em função do PIB), o secretário de Estado desvaloriza. Diz que “a colocação de produtos de dívida pública no retalho tem sido um enorme sucesso“.

“Os certificados de aforro (CA), desde 2015, perderam cerca de 1.000 milhões de euros em valor subscrito. Contudo, nos certificados de Tesouro (CTPC), as subscrições mais do que compensam os resgates líquidos do outro produto”, refere. “No conjunto dos CA e dos CT, o saldo vivo dos produtos de retalho tem crescido continuamente”, salienta.

Obrigações para o retalho. Vem aí mais uma

Além dos certificados do Tesouro, também as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) têm registado uma forte adesão por parte das famílias portuguesas, apesar de as taxas oferecidas estarem em queda acentuada em resultado da descida dos juros da dívida portuguesa nos mercados.

O sucesso alcançado leva Mourinho Félix a afirmar que a aposta é para manter. Esses produtos são para continuar e certamente que em 2019 faremos mais uma emissão de OTRV, diz em entrevista escrita ao ECO.

Na proposta de Orçamento do Estado, o Governo antecipa que as famílias não tenham qualquer impacto líquido no financiamento público no próximo ano, tendo em conta os resgates previstos com o fim da maturidade dos primeiros Certificados do Tesouro Poupança Mais. As OTRV deverão compensar a saída de dinheiro dos certificados.

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