Três edições, muitas polémicas à volta do Web Summit

  • Lusa
  • 3 Novembro 2018

Depois da dificuldade nos acessos ao recinto, veio o jantar no Panteão. Este ano foi a vez de o convite a Le Pen gerar polémica.

Lisboa recebe a Web Summit entre segunda e quinta-feira, numa terceira edição que começou com a polémica da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, integrar a lista de oradores, que levou a organização a cancelar o convite.

A Web Summit chegou a Lisboa em 2016, ano em que trouxe 53 mil pessoas de 166 países, 15 mil empresas, 7.000 presidentes executivos, 700 investidores de topo e 2.000 jornalistas internacionais.

No ano passado, estes números subiram, para um total de 60 mil participantes de 170 países, 1.200 oradores, duas mil ‘startups’, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

As duas edições anteriores ficaram marcadas não só pela dimensão e pelo crescimento do evento, mas também por polémicas.

Na edição de 2016, verificaram-se várias dificuldades nos acessos (rodoviários e transportes públicos, como o metro) ao Parque das Nações, zona do evento, bem como problemas na entrada no recinto, com alguns participantes a não conseguirem assistir à cerimónia de abertura, por exemplo.

Já no ano passado, foi no final da cimeira que os problemas surgiram, devido à utilização do espaço do Panteão Nacional para a realização de um jantar exclusivo de convidados da Web Summit, situação que motivou várias críticas e levou a organização a pedir desculpas “por qualquer ofensa causada” e a garantir que a ocasião, “conduzida com respeito”, cumpriu as regras do local.

Para este ano, a organização já prometeu “a maior e a melhor” edição de sempre, com novidades no programa e o alargamento do espaço, sendo esperados mais de 70 mil participantes de 170 países.

Ainda assim, a lista de oradores causou polémica, por incluir a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, o que levou o presidente executivo da Web Summit, Paddy Cosgrave, a anunciar em meados de agosto que decidiu retirar o convite.

“É agora claro para mim que a decisão correta para a Web Summit é retirar o convite a Marine Le Pen”, escreveu Cosgrave na sua conta na rede social Twitter.

Sobre esta questão, o Governo português chegou mesmo a esclarecer que não tinha intervenção na seleção de oradores da cimeira.

Nesta edição haverá “três novos palcos” na Web Summit, segundo dados fornecidos à Lusa: o “DeepTech”, no qual estará em foco o impacto de tecnologias como a computação e a nanotecnologia na indústria e na vida quotidiana; o “UnBoxed”, onde críticos de tecnologia irão analisar produtos eletrónicos; e ainda a “CryptoConf”, que debaterá assuntos como as moedas digitais.

Ao todo, serão “25 diferentes conferências dentro de uma só cimeira para discutir realidades relacionadas com a tecnologia, em áreas como o ambiente, o desporto, a moda e a política”, de acordo com a organização.

Fundada em 2010 por Paddy Cosgrave e os cofundadores Daire Hickey e David Kelly, a Web Summit é um dos maiores eventos de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo.

Em 2016, a cimeira mudou-se para Lisboa, com uma previsão inicial de ficar três anos.

Porém, no início de outubro deste ano, foi anunciado que o evento continuará a ser realizado em Lisboa por mais 10 anos, ou seja, até 2028, mediante contrapartidas anuais de 11 milhões de euros e a expansão da Feira Internacional de Lisboa (FIL).

O acordo prevê ainda uma cláusula de rescisão de 3,4 mil milhões de euros (340 milhões de euros por cada ano de incumprimento).

O Governo prevê que a atividade económica gerada por este evento atinja mais de 300 milhões de euros, a par de 30 milhões encaixados em receitas fiscais.

À semelhança das duas edições anteriores, a Web Summit decorre este ano entre 05 e 08 de novembro no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na FIL, em Lisboa.

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