Provisões para revisão dos CMEC penalizam contas da EDP. Lucro derrapa 74%

A elétrica constituiu uma provisão de 285 milhões de euros para fazer face à revisão dos CMEC que foi feita pelo Governo em agosto deste ano.

A EDP alcançou lucros de 297 milhões de euros no conjunto dos nove primeiros meses do ano, o que representa uma quebra de 74% face a igual período do ano passado. A penalizar as contas da elétrica está, sobretudo, a provisão de 285 milhões de euros que a empresa constituiu para fazer face à revisão dos custos de manutenção do equilíbrio contratual (os chamados CMEC), que foi feita pelo Governo no final de agosto deste ano e que já levou a EDP a rever em baixa as estimativas de resultados para 2018.

Os resultados foram comunicados, esta quinta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A justificar os resultados estão dois fatores extraordinários. Por um lado, os lucros dos primeiros nove meses do ano passado tinham sido impulsionados pela venda da Naturgas, um negócio que trouxe uma mais-valia de cerca de 560 milhões de euros para EDP.

Por outro lado, a revisão dos CMEC está a penalizar as contas da EDP. Em agosto passado, um despacho assinado pelo então secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, quantificou em 285 milhões de euros a alegada sobrecompensação da EDP quanto ao cálculo dos CMEC. O despacho prevê ainda a possibilidade de serem exigidos à EDP até 72,9 milhões de euros, relativos a uma alegada sobrecompensação das centrais a operar em regime de CMEC. A EDP constituiu, assim, provisões neste exato valor de 285 milhões de euros, ainda que mantenha a intenção de contestar em tribunal a decisão do Governo.

Excluindo estes efeitos recorrentes, o resultado líquido da EDP teria sido de 570 milhões no acumulado de janeiro a setembro, o que representaria uma subida de 2%. A contribuir para esta evolução esteve o crescimento da atividade no Brasil e a melhoria de mercado na Península Ibérica. Já as alterações regulatórias em Portugal e a performance da EDP Renováveis impediram ganhos mais expressivos, aponta a empresa.

O EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também registou uma quebra acentuada de 26%, totalizando 2,4 mil milhões de euros no final de setembro. Excluindo os efeitos não recorrentes, acrescenta a EDP, o EBITDA teria caído em 6% em termos homólogos, “totalmente em linha com o efeito cambial”.

Já a dívida líquida ascendia a 14,5 mil milhões de euros no final de setembro, valor que representa um aumento de 4% face aos 13,9 mil milhões que eram registados em dezembro do ano passado.

(Notícia atualizada pela última vez às 18h39 com mais informação).

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