Portugueses gastam cada vez menos no Natal. Este ano, será metade do que em 2008

  • Lusa
  • 13 Novembro 2018

O montante que as famílias portuguesas estimam gastar em compras de Natal tem vindo a cair nos últimos anos. Este ano, planeiam gastar 314 euros, metade do que em 2008.

Os portugueses planeiam gastar uma média de 314 euros por agregado familiar com compras de Natal, um valor que fica 7,1% abaixo dos gastos estimados em 2017 e quase metade do registado em 2008, segundo um estudo divulgado esta terça-feira.

Em causa está o Estudo de Natal 2018 da Deloitte, no qual foram inquiridos durante o mês de outubro 780 portugueses de um total de 9.169 consumidores europeus (de outros nove países além de Portugal), entre 18 e os 65 anos. No inquérito, as famílias portuguesas estimaram gastar uma média de 314 euros em compras de Natal, montante que tem vindo a decrescer nos últimos anos, depois de rondar os 338 euros no ano passado (queda de 7,1%) e os 610 euros em 2008 (diminuição para quase metade).

O valor estimado para este ano é, efetivamente, o segundo mais baixo da pesquisa, apenas ultrapassado em 2014, quando os consumidores portugueses estimaram gastar 270 euros”, aponta a consultora Deloitte em nota enviada à agência Lusa.

Em comparação com os outros países inquiridos, a previsão de gastos dos portugueses fica em 63 euros abaixo da média europeia. Portugal é, aliás “dos países que mais diminui o seu valor estimado de gastos para este ano”, observa Pedro Miguel Silva, do departamento de Indústria de Consumo da Deloitte.

“Reino Unido e Espanha continuam a ser os países onde os gastos são mais elevados e, por oposição, Holanda, Rússia e Polónia os países em que as populações despendem menos nesta época festiva”, acrescenta.

A incentivar o consumo nesta época festiva estão as promoções, indica o estudo, que realça que os portugueses são dos que mais planeiam comprar em ocasiões como a chamada Black Friday.

No que toca ao tipo de gastos, os presentes dominam as despesas (a representar 51% do total), seguindo-se a alimentação e bebidas (36%).

O estudo da Deloitte demonstra ainda que, este ano, “os portugueses sentem-se menos confiantes relativamente ao estado atual da economia, apesar de continuarem mais otimistas do que a média europeia (32% comparativamente a 23% de respostas positivas)”. Já em relação ao próximo ano, “os portugueses são também mais otimistas do que a média europeia, sendo que 37% da população portuguesa inquirida afirma esperar que a economia evolua positivamente”, assinala a consultora.

Aludindo à perceção sobre o poder de compra dos inquiridos, a Deloitte refere que se tem “mantido relativamente estável desde 2009, com um saldo entre respostas que tem variado entre os 20 e 30 pontos negativos”.

“Este ano a média europeia foi de menos 17%, ligeiramente acima do valor de 2017, tendo Portugal diminuído o seu saldo positivo de mais 2% para um saldo negativo de menos 10%. Contudo, a maioria da população afirma ter, em 2018, o mesmo poder de compra, dando os portugueses mais destaque à influência ao Orçamento de Estado nos seus comportamentos de consumo, face ao que revelavam dar em 2017”, conclui esta entidade.

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