Mota-Engil financia-se em 110 milhões. Pequenos investidores deram ordens para 140 milhões de euros

Procura por obrigações da construtora superou os 110 milhões de euros definidos na oferta. CEO admite que novas trocas não estão fora de questão e anuncia recorde de encomendas no segundo semestre.

A Mota-Engil conseguiu os 110 milhões de euros que pretendia, mas os investidores queriam mais. A procura por parte dos aforradores superou a oferta em 30 milhões de euros (1,26 vezes), ascendendo a 140 milhões de euros, em resultado da “confiança” que estes depositam na empresa, diz a construtora. Foi de tal forma elevada que o CEO diz estar arrependido de não ter aumentado a oferta.

“A forte procura traduz o reconhecimento internacional e a confiança dos investidores na entidade emitente“, afirmou o CFO do grupo, José Pedro Freitas, na apresentação dos resultados. Sublinhou que “além da atratividade da taxa de juro, os investidores mostraram interesse em manter a exposição ao grupo”.

A emissão de “Obrigações Taxa Fixa Mota Engil 2018/2022” foi feita através de oferta pública de subscrição e de ofertas públicas de troca de “Obrigações Mota Engil 2014/2019” e de “Obrigações Taxa Fixa Mota Engil 2015/2020” por “Obrigações Taxa Fixa Mota Engil 2018/2022”. O montante global já tinha sido aumentado para 110 milhões de euros, dos iniciais 65 milhões de euros.

“Estou arrependido de não ter aumentado mais”, admitiu o CEO da Mota-Engil, Gonçalo Moura Martins, em declarações aos jornalistas, referindo que no primeiro dia foram subscritos quase metade das obrigações. “Fomos privilegiados mais uma vez pelos investidores, muitos deles que já estavam expostos à dívida. Metade dos investidores já tinham dívida e quiseram estende-la”, afirmou.

As “Obrigações Taxa Fixa Mota-Engil 2018/2022” têm uma taxa de juro fixa de 4,5% ao ano e ficarão sujeitas a rateio as ordens registadas após ter sido atingido o montante máximo da oferta. O valor mínimo de subscrição de mil euros por investidor. Neste caso foram emitidos 55,22 milhões de euros, o que representa 50,2% do total.

Dívida líquida aumenta 55 milhões

A subscrição foi complementada ainda com duas Ofertas Públicas de Troca (OPT) parciais e voluntárias sobre os títulos emitidos em 2014 com maturidade até 2019 e títulos emitidos pela empresa em 2015 com maturidade até 2020. Na operação de troca, a integração foi integral, sem ter ficado sujeito a rateio.

Nesta oferta, foram colocados 54,78 milhões de euros, ou 49,8% do montante global. Do total, 25,73 milhões de euros são dívida que vencia em 2019 e os restantes 29,053 milhões com prazo em 2020. Dado que grande parte da operação foi de troca, a dívida líquida da construtora aumentou, assim, em 55 milhões de euros.

Sem quantificar, o CEO referiu que a troca irá “melhorar substancialmente” o prazo da dívida. Sobre a hipótese de novas operações de troca para estender a maturidade da dívida, o CEO não excluiu a hipótese por considerar que há interesse por parte dos investidores. “É importante que a empresa saiba falar com o mercado, nos vários canais. Não é bom ter só dívida obrigacionista nem só dívida bancária”, sublinhou.

O número de investidores alcançou os dois mil para a oferta de troca e quatro mil para a oferta de novas obrigações. Em ambos os casos, a liquidação está marcada para dentro de dois dias.

O CFO José Pedro Freitas reafirmou que o objetivo do grupo é “continuar a reafirmar a marca Mota-Engil no mundo” e que a operação está alinhada com os objetivos de “diversificação de fontes de financiamento, otimização dos custos e aumento da maturidade da dívida” que tem sido levada a cabo. O Caixa – Banco de Investimento, o Haitong Bank e o Novo Banco foram os organizadores e coordenadores globais da oferta.

Construtora vai apresentar recorde de encomendas

Gonçalo Moura Martins anunciou ainda que a construtura irá registar num nível recorde de carteiras de encomendas no segundo semestre do ano, após os 5,252 mil milhões de euros entre janeiro e junho. “Vai ficar acima”, confirmou o CEO, apontando para três novos projetos na Colômbia, bem como em Angola, República Dominicana e Moçambique.

Apesar do “sucesso” da operação e do crescimento da atividade da empresa, as ações já perderam 57% do valor em bolsa só este ano. Moura Martins considera que “não há nenhum problema ou ameaça que justifique esta correção”, se segue a uma mais que duplicação da capitalização bolsista em 2017. “É um título muito volátil e com pouco free float“, explicou, acrescentando que a construtora está a aproveitar o baixo preço (fechou esta segunda-feira nos 1,63 euros por ação) para recomprar ações.

Quanto aos projetos de expansão, explicou que a empresa não está focada em novos mercados, mas em reforçar a atividade nos países em que já está presente. “O crescimento não vem de um mercado específico, o que é muito importante para que a empresa não fique dependente”, disse o CEO.

Angola mantém-se como um dos mais importantes mercados para a construtora, apesar das dificuldades que têm enfrentado. A Mota-Engil é uma das empresas portuguesas a quem o Estado angolano tem dívidas em atraso. “Toda a dívida está certificada e a nossa expetativa é que [o pagamento] seja para breve. Agora há negociações em que as empresas vão acertar a forma de pagamento, por crédito fiscal, títulos da dívida angolana ou numerário”, disse o CEO, acrescentando que a visita de João Lourenço a Portugal “foi extremamente positiva para estreitar laços” entre Portugal e Angola.

(Notícia atualizada às 18h06 com mais informação)

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