Aumento de capital da Vista Alegre vai permitir pagar dividendo de 30% do lucro de 2019

A Visabeira vai fazer um aumento do capital da Vista Alegre através da emissão de 21,77 milhões de novas ações a partir de quinta-feira, de forma a reforçar o capital disperso em bolsa para 25%.

A oferta pública de venda (OPV) de ações e oferta pública de subscrição de novas ações da Vista Alegre foi aprovada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A operação dirige-se ao público em geral e vai começar já na próxima quinta-feira, de acordo com o prospeto publicado no site do regulador. O reforço do capital irá ter impacto na política de dividendos já no próximo ano.

A operação será composta pela venda de 8.709.094 ações da VAA – Vista Alegre Atlantis, SGPS já existentes, representativas de 5% do capital social que serão alienadas pela Visabeira Indústria, bem como pela admissão à negociação em mercado regulamentado de 21.772.735 ações, representativas de 12,5% do capital social. As ações serão vendidas entre 1 euro e 1,30 euros, sendo o valor final definido com base na procura registada.

O aumento de capital serve para reforçar o capital disperso em bolsa (free float) para os 25%, dos atuais 2,5%. Assim, o grupo Visabeira irá diminuir a participação para 70% (de 94,14%). Este irá decorrer em duas fases: a primeira decorrerá entre 29 de novembro e 5 de dezembro e a segunda a partir de 6 de dezembro até 12 de dezembro de 2018.

Todas as ações da VAA (incluindo as novas ações) são da mesma categoria. Os seja, tanto os atuais acionistas como os novos investidores que seja detentores de títulos têm direitos como participação nos lucros, participar na assembleia geral, partilha do património em caso de dissolução, preferência na subscrição de novas ações em casos de aumentos de capital por entradas em dinheiro em que o respetivo direito não seja limitado ou suprimido, receber novas ações da VAA em operações de aumento de capital por incorporação de reservas, e direito à informação.

Nos últimos anos, os prejuízos acumulados, os investimentos na reestruturação e – especialmente – as restrições do empréstimo sindicado contraído junto da Caixa Geral de Depósitos e do BCP obrigam a que não sejam distribuídos dividendos aos acionistas até 2026. O sucesso do aumento de capital poderá determinar uma mudança na política de remuneração dos acionistas da empresa.

A Visabeira explicou no prospeto que “pretende aplicar parte do produto líquido da oferta de subscrição” para reembolsar o empréstimo à banca. Sujeito ainda a avaliação, o Conselho de Administração da VAA aprovou uma política de crescimento “estável e sustentado dos dividendos relativos aos exercícios de 2019” que representem, pelo menos, 30% do lucro líquido.

“O Conselho de Administração da VAA poderá ajustar a referida política de dividendos no futuro, caso seja necessário ou conveniente ao interesse social, de modo a refletir, entre outros aspetos, alterações à estratégia de negócio e às necessidades de capital, dependendo eventuais dividendos futuros das condições verificadas no momento, pelo que não pode ser dada qualquer garantia que num determinado ano serão propostos, declarados e/ou distribuídos dividendos. Considerando ainda o âmbito da atividade da VAA, a sua capacidade de pagar dividendos depende substancialmente de as suas subsidiárias operacionais obterem lucros e os distribuírem à VAA”, sublinhou.

O lucro da Vista Alegre subiu 41% no primeiro semestre, face a igual período de 2017, para 1,9 milhões de euros. O EBITDA – lucros antes de impostos, juros, depreciações e amortizações – cresceu 11% para sete milhões de euros.

(Notícia atualizada às 22h45)

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