Fitch sobe rating do BCP, mas mantém o banco no segundo nível de ‘lixo’

  • Leonor Mateus Ferreira
  • 6 Dezembro 2018

Agência de notação financeira anunciou a revisão em alta esta quinta-feira. Decisão reflete melhorias na rentabilidade operacional.

A Fitch subiu o rating do banco Millennium bcp para BB, o segundo nível de grau especulativo, esta quinta-feira. O outlook manteve-se em ‘estável’. A agência de notação financeira explicou que o upgrade reflete os fortes fundamentais do banco, especialmente a melhoria nos rendibilidade operacional, mas alertou que a instituição liderada por Miguel Maya está ainda vulnerável a choques.

“O upgrade do BCP reflete os fundamentais mais fortes, impulsionados, em particular, pela melhoria da rentabilidade operacional e pelo significativo progresso na redução de ativos problemáticos”, refere o relatório da agência.

Sublinha que a melhoria da qualidade dos ativos do BCP resultou na redução do peso dos ativos problemáticos e na quebra dos encargos com as imparidades dos empréstimos, apesar de continuarem ainda elevados. Estes fatores suportaram a rentabilidade ao longo de 2018.

O rating mantém-se, no entanto, no segundo nível do grau especulativo dado que “as métricas de qualidade de ativos do banco são ainda mais fracas do que algumas médias domésticas e internacionais”, explica a Fitch.

A agência considera que a capitalização do banco continua vulnerável a choques, apesar das melhorias. As perspetivas para o futuro são, ainda assim, otimistas.

A Fitch sublinha que a posição do BCP enquanto segundo maior banco do país permite-lhe determinar preços e aumentar a eficiência ao nível dos custos. Também o contexto económico é benéfico para o banco liderado por Miguel Maya. “A Fitch espera que o ambiente económico em Portugal se mantenha propício ao plano do banco de redução dos ativos problemáticos para níveis mais aceitáveis, bem como das melhorias na lucratividade do banco”, acrescenta.

Ratings do Totta e BPI ficam inalterados

A agência norte-americana emitiu também relatórios sobre o Santander Totta e BPI, mantendo os ratings inalterados. No caso do Totta, continua no nível BBB+ com outlook ‘estável’. Ainda assim, o banco reviu em alta os Viability Ratings (VRs) do banco para ‘bbb-‘ from ‘bb+’.

Este indicador de comparação internacional representa a capacidade do banco de manter operações em curso e evitar falência. “Os upgrades dos VRs são principalmente conduzidos pela forte performance demonstrada pelo banco e integração progressiva do Banco Popular Portugal, sem comprometer uma rendibilidade ajustada ao risco adequada durante o ciclo económico. O negócio core do banco tem sido resiliente, gerando lucros adequados enquanto mantém o controlo da qualidade dos ativos”, explica.

Já em relação ao BPI, a Fitch manteve o rating em ‘BBB’ com outlook ‘estável’, refletindo a elevada probabilidade de o banco receber apoio da casa-mãe CaixaBank, em caso de necessidade. “A Fitch acredita que Portugal é um mercado estrategicamente importante para o CaixaBank, o que é demonstrado pelo investimento de longo prazo no banco BPI e o seu envolvimento na arquitetura e implementação do novo plano estratégico da subsidiária, incluindo a venda de alguns negócios do BPI à casa-mãe”, acrescentou a agência.

(Notícia atualizada às 13h)

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