Fitch sobe rating do BCP, mas mantém o banco no segundo nível de ‘lixo’

Agência de notação financeira anunciou a revisão em alta esta quinta-feira. Decisão reflete melhorias na rentabilidade operacional.

A Fitch subiu o rating do banco Millennium bcp para BB, o segundo nível de grau especulativo, esta quinta-feira. O outlook manteve-se em ‘estável’. A agência de notação financeira explicou que o upgrade reflete os fortes fundamentais do banco, especialmente a melhoria nos rendibilidade operacional, mas alertou que a instituição liderada por Miguel Maya está ainda vulnerável a choques.

“O upgrade do BCP reflete os fundamentais mais fortes, impulsionados, em particular, pela melhoria da rentabilidade operacional e pelo significativo progresso na redução de ativos problemáticos”, refere o relatório da agência.

Sublinha que a melhoria da qualidade dos ativos do BCP resultou na redução do peso dos ativos problemáticos e na quebra dos encargos com as imparidades dos empréstimos, apesar de continuarem ainda elevados. Estes fatores suportaram a rentabilidade ao longo de 2018.

O rating mantém-se, no entanto, no segundo nível do grau especulativo dado que “as métricas de qualidade de ativos do banco são ainda mais fracas do que algumas médias domésticas e internacionais”, explica a Fitch.

A agência considera que a capitalização do banco continua vulnerável a choques, apesar das melhorias. As perspetivas para o futuro são, ainda assim, otimistas.

A Fitch sublinha que a posição do BCP enquanto segundo maior banco do país permite-lhe determinar preços e aumentar a eficiência ao nível dos custos. Também o contexto económico é benéfico para o banco liderado por Miguel Maya. “A Fitch espera que o ambiente económico em Portugal se mantenha propício ao plano do banco de redução dos ativos problemáticos para níveis mais aceitáveis, bem como das melhorias na lucratividade do banco”, acrescenta.

Ratings do Totta e BPI ficam inalterados

A agência norte-americana emitiu também relatórios sobre o Santander Totta e BPI, mantendo os ratings inalterados. No caso do Totta, continua no nível BBB+ com outlook ‘estável’. Ainda assim, o banco reviu em alta os Viability Ratings (VRs) do banco para ‘bbb-‘ from ‘bb+’.

Este indicador de comparação internacional representa a capacidade do banco de manter operações em curso e evitar falência. “Os upgrades dos VRs são principalmente conduzidos pela forte performance demonstrada pelo banco e integração progressiva do Banco Popular Portugal, sem comprometer uma rendibilidade ajustada ao risco adequada durante o ciclo económico. O negócio core do banco tem sido resiliente, gerando lucros adequados enquanto mantém o controlo da qualidade dos ativos”, explica.

Já em relação ao BPI, a Fitch manteve o rating em ‘BBB’ com outlook ‘estável’, refletindo a elevada probabilidade de o banco receber apoio da casa-mãe CaixaBank, em caso de necessidade. “A Fitch acredita que Portugal é um mercado estrategicamente importante para o CaixaBank, o que é demonstrado pelo investimento de longo prazo no banco BPI e o seu envolvimento na arquitetura e implementação do novo plano estratégico da subsidiária, incluindo a venda de alguns negócios do BPI à casa-mãe”, acrescentou a agência.

(Notícia atualizada às 13h)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Fitch sobe rating do BCP, mas mantém o banco no segundo nível de ‘lixo’

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião