Entrada da Fosun sem impacto no rating do BCP

S&P manteve o rating da dívida do BCP. Reconhece que a entrada da Fosun vai ajudar a reembolsar o empréstimo do Estado, mas diz que chineses não têm impacto suficiente para melhorar notação do banco.

A agência Standard&Poor’s manteve esta quinta-feira o rating ‘B+’ do BCP, deixando positiva a perspetiva de evolução da notação do banco português, numa nota que vem na sequência da entrada do grupo chinês Fosun para o capital da instituição portuguesa.

A Fosun adquiriu 16,7% do BCP no domingo. Mas, para a S&P, nada muda em relação ao risco associado ao banco português. “Afirmamos o rating do BCP porque, tendo em conta os preços depressivos das ações, não consideramos que o aumento de capital seja suficiente para termos uma visão mais positiva acerca sua capitalização”, declarou a agência norte-americana. “Reconhecemos, contudo, que o aumento de capital fornece ao banco alguma flexibilidade para acomodar um reembolso parcial dos instrumentos de capital contingente devidos ao Governo”, acrescentou.

Mas há mais razões que justificam a manutenção da notação, destacando a falta de experiência dos chineses no setor bancário e ainda o elevado endividamento do grupo. “O perfil de negócio da Fosun, transitando para de um conglomerado industrial para uma holding de investimento; a sua presença limitada no setor bancário antes deste negócio; a sua elevada alavancagem; e a relativamente pequena parcela que o BCP representa no portfolio de investimentos da Fosun, leva-nos a acreditar que será improvável o banco beneficiar de uma subida do rating em reflexo do suporte do grupo”, justificaram os analistas da S&P.

"O perfil de negócio da Fosun, transitando para de um conglomerado industrial para uma holding de investimento; a sua presença limitada no setor bancário antes deste negócio; a sua elevada alavancagem; e a relativamente pequena parcela que o BCP representa no portfolio de investimentos da Fosun, leva-nos a acreditar que será improvável o banco beneficiar de uma subida do rating em reflexo do suporte do grupo.”

Standard&Poor's

A agência diz ainda que “é possível que a entrada da Fosun possa alterar o atual plano de negócios do BCP“. Até porque pediu para estar representado na administração do banco. “Mas acreditamos que qualquer mudança, se acontecer, terá lugar apenas quando o banco completar o seu plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia”, frisou.

A suportar a notação, a S&P destaca o negócio sólido em Portugal, os “benefícios da diversificação geográfica fornecida pelas operações rentáveis na Polónia, e o progresso alcançado até agora na sua reestruturação”.

Em todo o caso, com a perspetiva de subir o rating nos próximos 12 a 18 meses, a S&P dá conta das condições para melhorar o perfil de risco do banco liderado por Nuno Amado:

  • Progressos no acesso aos mercados de financiamento, em vez do recurso ao Banco Central Europeu, como prova de reconquista da confiança dos investidores;
  • Estabilização da capacidade de financiamento de Portugal, que aliviaria os constrangimentos de financiamento dos bancos, facilitando a redução dos custos dos empréstimos e o acesso aos mercados.

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