Fosun vai colocar rácio de capital do BCP nos 10%, diz o Haitong

  • Rita Atalaia
  • 21 Novembro 2016

O desconto de 11% face ao preço da ação é "dececionante", mas o Haitong nota que a entrada da Fosun no BCP vai permitir que o banco reforce os seus rácios de capital.

O Haitong diz que a entrada da Fosun no capital do BCP vai permitir que o banco reforce os rácios de capital. E esta perspetiva está a sobrepor-se ao facto de a entrada dos chineses no banco português ter sido feita com um desconto de 11% face à última cotação, o que o banco diz ser “dececionante”.

“Por um lado, pensamos que o preço de subscrição no aumento de capital é de alguma forma dececionante (já que houve um desconto de 10% face ao preço ajustado de 1,226 euros), considerando que o BCP está a negociar próximo de mínimos do ano”, diz o Haitong numa nota de research. A dona da Fidelidade pagou 1,1089 euros por cada título para se tornar na maior acionista do banco.

Mas há um fator mais importante: este aumento de capital vai permitir que o banco liderado por Nuno Amado reforce os rácios de capital. “Por outro lado, o aumento de capital de 175 milhões de euros permite que o rácio de capital CET1 do banco suba de 9,5% para 10%, graças a termos muito mais favoráveis que o banco não encontraria se fosse ao mercado”, explica o banco, que atribui uma recomendação “neutral” e um preço-alvo de 1,50 euros.

As ações estão a reagir positivamente a este reforço. Os títulos do BCP estão a disparar 3,6% para 1,29 euros — tinham terminado a sessão de sexta-feira nos 1,249 euros. Com esta subida, o BCP está a puxar pela bolsa de Lisboa, que soma 0,2%.

A subida das ações traduz o a leitura positiva que é feita pelos investidores relativamente à solvabilidade do banco. O Goldman Sachs nota isso mesmo, referindo numa nota de research que este reforço de capital para a entrada da Fosun deverá ter um impacto de 50 pontos base no rácio de capital do banco. O Haitong diz ainda que esta operação “permite que o banco reforce a base de acionistas com um investidor com amplo acesso a financiamento”.

E este financiamento pode ser importante, uma vez que o banco tem de pagar o que ainda deve ao Governo. O BCP, recorde-se, ainda tem de pagar 750 milhões de euros ao Estado de CoCos – obrigações convertíveis – até julho de 2017.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

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