Chineses e angolanos. Quem manda agora no BCP?

A entrada da Fosun altera a relação de forças dos accionistas. Os actuais ficam com a posição diluída. O que fará a Sonangol?

Está concretizada a entrada dos chineses no capital do maior banco privado português.

A Fosun vai pagar 1,1089 euros por cada ação (menos 11,22% face ao atual preço de mercado) para comprar 157.437.395 novos títulos.

Com esta entrada de dinheiro fresco no BCP, o capital do banco, (já ajustado ao ‘reverse stock split’) passa a estar representado por 944.624.372 ações ordinárias.

Isto significa que o investimento dos chineses da Fosun lhes permitirá ficar com 16,67% do capital do BCP ganhando, pelo menos por agora, o estatuto de maior acionista do banco liderado por Nuno Amado.

Como este aumento de capital implicou a supressão do direito de preferência dos acionistas, isto significa que os atuais donos do BCP ficaram com as suas participações diluídas.

É o caso da Sonangol, que até agora tinha 17,84% e que passará a ter 14,87% do BCP, descendo para segundo lugar na escala dos maiores acionistas do BCP.

Esta pode contudo ser uma situação temporária já que os angolanos, tal como o ECO avançou em primeira mão, já pediram autorização ao Banco Central Europeu para ultrapassar a fasquia dos 20% no capital do banco português.

Isto não quer dizer necessariamente que a Sonangol vá recuperar novamente o estatuto de maior acionista. Adivinha-se uma guerra de titãs no BCP. É que o acordo de entrada dos chineses no BCP poderá implicar um reforço de até 30% no capital por parte da Fosun.

No entanto, para que os angolanos e os chineses reforcem e possam votar com a totalidade do capital, é necessário que os acionistas do banco, em assembleia-geral, aprovem o aumento de 20% para 30% dos limites de voto do banco. Esta AG estava prevista para amanhã, mas deverá ser suspensa até ao próximo dia 19 de dezembro.

A nova estrutura acionista do BCP

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