BCP abre a porta aos dividendos na assembleia geral de acionistas de hoje

Banco liderado por Miguel Maya dá hoje mais um passo importante rumo aos dividendos para os acionistas e aos bónus para os trabalhadores. O que está em causa na assembleia geral desta segunda-feira?

O BCP dá esta segunda-feira mais um passo decisivo naquilo que o seu presidente considera ser “a normalização do banco”. Depois de anos de aperto para os acionistas e para os trabalhadores, num período marcado pela intervenção estatal e pela ascensão chinesa no quadro acionista, o banco liderado por Miguel Maya apresenta à votação da assembleia geral extraordinária duas propostas que visam abrir a possibilidade de voltar a pagar dividendos e devolver os cortes aos funcionários. Mas o dia de hoje representa apenas um primeiro passo nesse sentido.

São apenas dois pontos que constam da ordem de trabalhos da reunião magna que decorre no Tagus Park, em Oeiras, ao início da tarde:

  1. Revisão de um artigo dos estatutos do banco para clarificar que é a assembleia geral quem toma decisões relativas à distribuição de lucros do exercício, independentemente da política de dividendos da gestão do banco;
  2. Redução do capital social em quase 900 milhões de euros (sem alteração do número da ações) para permitir que a situação líquida do banco (os capitais próprios) exceda em 20% o seu capital social, o que vai possibilitar a existência de fundos para distribuir pelos acionistas e trabalhadores.

Miguel Maya já teve oportunidade de dizer ao ECO que o banco vai a caminho de “lucros belíssimos” e que estava a “fazer tudo” para voltar a remunerar os acionistas, o que não acontece desde 2010. Além disso, quando assumiu os destinos do banco no final de julho, enviou uma carta aos trabalhadores onde expressou o seu compromisso de voltar a pagar bónus aos trabalhadores, como compensação pelo corte de salários que vigorou entre 2014 e 2017 e corresponderam entre 3% e 11% das remunerações acima de 1.000 euros.

Agora, aprovadas as duas propostas pelos acionistas, o presidente do BCP fica mais perto de cumprir a sua palavra, mas nada está ainda definitivamente decidido.

Por um lado, o Banco Central Europeu (BCE) terá de dar luz verde primeiro a redução do capital social de 876 milhões de euros que coloque o banco em posição de ter fundos disponíveis para dividendos e bónus. Por outro, existindo essas disponibilidades financeiras, a remuneração aos acionistas e os prémios aos funcionários terão de ser decididos noutras assembleias gerais que não a desta segunda-feira.

Na convocatória para esta reunião magna, o conselho de administração assinalava que “é de manifesto interesse social, dentro do permitido por lei, criar condições de futura existência de fundos suscetíveis de qualificação regulatória como distribuíveis, que possibilitem a eventual futura: (…) distribuição de resultados pelos colaboradores; e decisão de distribuição de dividendos (…)”.

No plano financeiro, depois de ter apresentado lucros de 150 milhões de euros no primeiro semestre, o BCP volta a reportar contas trimestrais já na quinta-feira. Os analistas do do BPI estimam um resultado líquido positivo de 243,6 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.

As ações apresentam uma desvalorização de 10% desde o início do ano, apesar do recente rally com a reunião magna à espreita. Atualmente, a instituição apresenta-se com um valor de mercado a rondar os 3.600 milhões de euros.

Entre os principais acionistas do BCP estão os chineses da Fosun e os angolanos da Sonangol, detendo 27,06% e 19,49% do capital do banco português, respetivamente.

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