Tomás Correia violou limites de investimento especulativo no Montepio apesar dos alertas

  • ECO
  • 6 Dezembro 2018

Já após a crise do subprime, a gestão de Tomás Correia excedeu os limites definidos parta investimentos especulativos ao apostar em derivados da PT e concedeu crédito a clientes de risco.

São cerca de 600 milhões de euros o resultado da violação das regras por parte da gestão de Tomás Correia em 2014. Em causa estão os investimentos especulativos que a Caixa Económica Montepio Geral fez, nomeadamente em derivados da PT (75 milhões de euros) e empréstimos de risco concentrados em apenas nove clientes que somavam cerca de 850 milhões de euros. Perante este cenário de risco, o departamento de planeamento do banco enviou um email à administração, ainda chefiada por Tomás Correia, a chamar a atenção para o facto, avança esta quinta-feira o Público (acesso condicionado).

O departamento, na altura chefiado por João Neves, estava especialmente preocupado com as aplicações do Montepio em derivados de crédito no qual o risco é oculto, os chamados CLN (Credit Linked Note), da PT que em abril de 2014 ascendiam a 75 milhões de euros. A este investimento somavam mais 53 milhões de euros em securitizações. Isto porque em “em caso de desvalorização continuada de 30%” destes “instrumentos altamente complexos”, que desencadearam a crise do subprime de 2007 e de 2008, haveria perdas para o banco, alertavam os técnicos do departamento.

Perdas que de facto se vieram a materializar: o Montepio registou, logo em abril de 2014, perdas totais de cerca de 380 milhões de euros que, se agravaram em mais 200 milhões, para quase 600 milhões de euros nos anos seguintes.

O banco, que é o principal ativo do grupo Montepio, a maior entidade da economia social, tinha um excesso de concentração em alguns clientes. De acordo com o mesmo email citado pelo Público, Rui Alegre tinha “barcos” que eram um “cancro” (135 milhões), o Grupo Espírito Santo (120 milhões), a construtora e imobiliária HN (74,5 milhões), o construtor da Figueira da Foz Aprígio Santos (74 milhões), os construtores José Guilherme e Jorge Silvério (120 milhões), mas também à EDP (150 milhões), a PT (114,2 milhões) e a Galp (80 milhões de euros). Do conjunto salvaram-se os investimentos na EDP, na Galp e no GES.

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