Manuel Pinho garante que convite para Columbia “foi feito pelos responsáveis da universidade”

O antigo ministro da Economia, suspeito de ter favorecido a EDP, assegura ainda que o convite foi feito antes de ter sido assinado o protocolo entre a elétrica e Columbia.

Depois da garantia já dada por João Manso Neto, administrador da EDP, é agora a vez de Manuel Pinho assegurar que o convite para dar aulas na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, foi feito pelos responsáveis da própria universidade, e não sugerido pela EDP, como forma de compensar o antigo ministro por, alegadamente, ter beneficiado a elétrica, como suspeitam os procuradores do Ministério Público.

A garantia foi dada, esta quinta-feira, no Parlamento, onde o antigo ministro da Economia do Governo de José Sócrates está a ser ouvido, no âmbito da comissão parlamentar de inquérito ao pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade. “O convite, naturalmente, foi feito pelos responsáveis da universidade”, disse o ex-governante, em resposta ao deputado socialista Fernando Anastácio.

De seguida, relatou a extensa lista de universidades pelas quais já passou: “Dou aulas na Universidade de Columbia há dez anos. Nos Estados Unidos, também tive oportunidade ensinar na Universidade de Yale e na Universidade de Georgetown. Na Austrália, dei aulas na Universidade de Kingston. Na China, na Faculdade de Estudos Internacionais e, no próximo semestre, na Universidade de Pequim. Não sou professor de carreira, só tenho tido lugares a prazo e em part time“, salientou.

“Fruto de muito trabalho e, talvez, um bocado de sorte, tenho conseguido ser convidado por várias universidades”, disse ainda, para, logo de seguida, acrescentar: “No próximo semestre, terei trabalhado em três das 30 melhores universidades do mundo. Isso prova que, com muito trabalho e muita dedicação, é possível nós superarmo-nos”.

Questionado sobre se teve conhecimento, ainda enquanto ministro, da possibilidade de vir a trabalhar na Universidade de Columbia, Manuel Pinho garantiu que não. “Tinham-me sondado duas ou três universidades. Tudo se passou no prazo de duas ou três semanas”, recordou.

Esta versão é contrária à que é defendida pelos procuradores do Ministério Público, que, com base numa série de emails da EDP, suspeitam que Manuel Pinho terá favorecido a EDP quando era ministro, tendo sido, em troca, contratado pela Universidade de Columbia, onde deu aulas num curso que contou com o patrocínio de 1,2 milhões de dólares por parte da EDP. Um destes emails, de acordo com a revista Visão, mostra que Manuel Pinho terá sido informado antecipadamente por altos dirigentes da EDP sobre os pormenores do protocolo que viria depois a ser assinado entre a universidade e a elétrica.

O antigo ministro frisa, contudo, que este protocolo é posterior ao convite que lhe foi dirigido pela universidade. “O convite que me fizeram foi anterior a esse protocolo que está a referir”, disse ao deputado Fernando Anastácio, que retorquiu que a versão do Ministério Público aponta para que a cronologia desses factos seja ao contrário. “E eu digo que é ao contrário”, concluiu Manuel Pinho.

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