Protesto dos ‘coletes amarelos’ num impasse em Lisboa

  • Lusa
  • 21 Dezembro 2018

O protesto estava marcada para as 7 da manhã, mas poucos foram os manifestantes a marcar presença. Os que ainda persistem não têm certezas quanto à continuidade do protesto.

Quatro horas depois do início da manifestação em Lisboa, os “coletes amarelos” transferiram o protesto alguns metros do Marquês de Pombal e posicionaram-se ao longo da rua Braamcamp, que liga ao Largo do Rato.

Depois de mais de duas horas de impasse e cercados por um forte aparato policial, tendo falhado a intenção de se deslocarem até à Assembleia da República, os manifestantes juntaram-se num único grupo, depois de o perímetro policial ter sido alargado.

Até ali, havia um grupo concentrado na caixa de segurança na Rotunda do Marquês e um outro junto às portas de entidades bancárias localizadas naquela zona da capital.

Momentos antes, fonte da PSP revelara que o perímetro de segurança tinha sido alargado, após o que um cordão formado apenas por mulheres se aproximou da caixa policial que se abriu, deixando os manifestantes concentram-se num só grupo.

Entre os manifestantes continua a não haver certezas quanto à continuidade do protesto, se permanecem na Rua Braamcamp ou se seguem para o parlamento.

“Não sei” é a expressão mais ouvida no Marques de Pombal, onde marcou presença um carro com altifalantes no tejadilho a emitir os hinos português e francês, enquanto pelas janelas se acenava com coletes amarelos.

Em declarações à Lusa, Sandro Maia, um dos “coletes” pertencentes ao Movimento Vamos Parar Portugal em Forma de Protesto, disse que se “vive agora um impasse”, com a polícia “a restringir os movimentos do grupo”. “Tínhamos o percurso planeado para seguir a marcha e não conseguimos perceber porque é que os companheiros de luta estão cercados”, disse Sandro Maia, adiantando que estão “numa medição de forças” com as autoridades.

O “colete amarelo” acrescentou, também, que não sabe “quando é que podem começar a marcha até à Assembleia da República”, considerando estar a viver-se “um impasse”. “Estamos aqui reunidos exigindo melhores condições de vida, maior poder de compra. Já temos o cinto mais que apertado”, frisou. Sandro Maia acrescentou que o Movimento irá apresentar “ainda hoje” as medidas que defendem “a quem de direito”.

Entretanto, Luísa Patrão, uma das porta-voz do Movimento Vamos Parar Portugal, adiantou aos jornalistas que o protesto como está agora [com os “coletes amarelos” fechados pela polícia numa caixa de segurança entre a cintura interna e a externa do Marquês] “não é nada”.

“Não os deixam sair, nem deixam entrar, mas este é o país que temos”, disse Luísa Patrão, terminando a frase com um “viva Portugal”. “Queremos ter direito à manifestação”, frisou.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.

Um dos grupos, Movimento Coletes Amarelos Portugal, num manifesto divulgado na quarta-feira, propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.

Não tolerando qualquer ato de violência ou vandalismo, este movimento, que se intitula como “pacífico e apartidário”, defende também o combate contra a corrupção.

A lista das manifestações dos “coletes amarelos” na área de atuação da PSP somava 25 protestos em 17 locais das principais cidades do país.

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