Ambar aposta no exterior para chegar aos 10 milhões de faturação

Depois do PER, a Ambar, empresa que completa 80 anos, está a apostar forte no mercado internacional. Empresa cresce a dois dígitos desde 2014, altura em que entraram os novos acionistas.

A Ambar parece ter deitado para trás das costas os tempos mais difíceis. Depois de os trabalhadores da empresa terem pedido a insolvência em 2014, a empresa, agora com novos acionistas (José Costa, da Coscelos, e José Ferreira, da Valérius, ambos com 50% do capital), está a renascer das cinzas. Prova disso é que fechou o ano de 2018 com um volume de faturação de 8,5 milhões de euros, praticamente um milhão mais do que o atingido em 2017.

José Vilas Boas Ferreira, presidente da empresa especializada em produtos de papelaria, material escolar e brinquedos pedagógicos afirma que “a empresa tem crescido sempre [desde 2014] a dois dígitos e tem que continuar a crescer na área internacional”.

É preciso inverter a tendência já em 2019, e alcançar 60% das vendas no exterior e 40% em Portugal.

José Vilas Boas Ferreira

Presidente da Ambar

A Ambar, que este ano completa 80 anos, fechou o exercício de 2018 com o mercado interno a pesar 55% nas contas da empresa e o mercado externo 45%. Agora, garante, o presidente da Ambar “é preciso inverter a tendência já em 2019, e alcançar 60% das vendas no exterior e 40% em Portugal”. A empresa tem cerca de 500 clientes ativos em mais de 25 países.

As estimativas da Ambar apontam para um volume de negócios de 10 milhões de euros em 2019.

Novo ciclo começou em 2014

Criada em 1939 por Américo Barbosa, a empresa viria a conhecer dificuldades tendo os trabalhadores em 2013 pedido a insolvência da Ambar, em 2014 dá-se a entrada da nova administração.

José Vilas Boas Ferreira, diz que “este é um projeto de coração”. E justifica a compra da empresa que faz parte do imaginário dos portugueses com uma sugestão de um consultor que trabalhava com ele. “Sugeriu-me entrar no capital da Ambar e como nós temos historial de salvar empresas em dificuldades (Covidel, Lima Têxteis, Filobranco e Calçado Campeão Português), olhámos para o projeto e acabámos por ficar” o negócio.

Numa primeira fase, o capital da empresa ficou nas mãos dos dois atuais acionistas (70%) e de dois quadros da empresa (30%), tendo estes ficado a gerir a empresa. Mas as coisas não correram de feição.

“Ao fim de algum tempo percebemos que as pessoas queriam era segurar o emprego e não o projeto e percebemos que aquela não era a nossa gestão, nem o nosso projeto e cá estamos, eu fiquei presidente da empresa e pusemos um diretor geral que veio da área automóvel”, afirma.

Para já, José Vilas Boas Ferreira diz que investiu “cerca de 3,5 milhões de euros neste projeto“. A somar a isto há ainda o pagamento do PER (processo especial de revitalização), que totalizava três milhões e que os novos donos da Ambar já pagaram quase na totalidade (90%).

Mas o grande investimento será a mudança na totalidade da empresa para Barcelos. “Já mudámos uma parte porque tivemos que entregar uma parte da ex-instalações porque eram do BCP”, admite o presidente da Ambar. A empresa tem atualmente 70 trabalhadores.

“Vamos trazer a empresa por partes para Barcelos. Em 2021 já devemos estar todos concentrados em Barcelos. A transferência na totalidade vai custar 10 milhões de euros”, revela.

Aposta nos brinquedos didáticos

Entre as novas apostas da empresa está o projeto Ambar Science, brinquedos científicos e pedagógicos com a chancela da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. O projeto teve na sua origem um investimento de 500 mil euros, prevendo-se que no prazo de cinco anos possa representar 25% das contas do grupo.

Para o presidente da Ambar “esta é uma aposta válida, mas que demora o seu tempo, e a internacionalização é ainda mais lenta porque exige que se faça um ‘kit à medida de cada país’. Não podemos ir lá para fora falar dos monumentos nacionais… É preciso personalizar, portanto tivemos que fazer marcha atrás e demonstrar ao mercado a nossa marca, demonstrar que é um produto homologado. Estamos a comunicar às escolas e temos que fazer isto em várias línguas”.

Foi aliás, este revés que deitou por terra as expectativas da empresa de em 2022 estar a faturar 22 milhões.

Revimos as nossas projeções e estimamos que em 2022 vamos estar a faturar entre 12 e 15 milhões de euros e vamos conseguir”, afirma José Ferreira.

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