“É cedo para estarmos a pedir ao Ministério das Finanças” que reveja já as previsões de crescimento, diz Siza Vieira

  • ECO
  • 17 Janeiro 2019

Em entrevista à Reuters, o ministro salienta que o que está no OE "não é necessariamente aquilo que acontece". Governante anunciou "nova fase do ciclo económico".

O ministro Adjunto e da Economia defende que “é cedo” para Mário Centeno atualizar as previsões de crescimento para a economia portuguesa para este ano. No Orçamento do Estado, o Governo inscreveu uma subida do PIB de 2,2%, mas, em entrevista à Reuters, Pedro Siza Vieira argumenta que a projeção para o PIB que o que está no OE “não é necessariamente aquilo que acontece”.

Na quarta-feira, durante uma audição no Parlamento, o ministro Adjunto e da Economia admitiu uma “nova fase do ciclo económico” em resultado do abrandamento da economia mundial.

Na entrevista publicada esta quinta-feira pela Reuters, Pedro Siza Vieira foi questionado sobre se o Governo se prepara para rever a meta traçada em outubro, de um crescimento económico de 2,2%, uma quase estabilização face aos 2,3% que previa na altura para 2018.

O ministro enquadrou o significado da previsão que consta do OE. “O Governo faz projeções macroeconómicas para suportar o exercício do Orçamento. Com base em determinadas projeções do crescimento da economia, do emprego, estima as receitas e as despesas e isso é importante para fazer um exercício orçamental que satisfaça as necessidades públicas que exigem despesa e para ver em que termos projeta o défice as necessidades de financiamento”.

Ou seja, Siza sugere que as projeções que constam do cenário macroeconómico são mais um instrumento, do que um fim em si mesmo.

“Mas, este exercício é sempre volátil. Aquilo que está no Orçamento não é necessariamente aquilo que acontece”, continua o ministro Adjunto e da Economia.

Siza salta depois para o próximo momento do ano em que os governos são forçados a fazer previsões macroeconómicas.

“O Governo, todos os anos por altura da primavera no Programa de Estabilidade, atualiza as projeções orçamentais, trabalhando com base naquilo que é o real. Fazemos as projeções que suportam o Orçamento de Estado no verão do ano anterior e, quando apresentamos o Programa de Estabilidade, atualizamos em função da realidade“, diz na mesma entrevista.

“Acho que é cedo para estarmos a pedir ao Ministério das Finanças que, desde já, faça exercícios de projeções”, conclui.

Isto significa que apesar de o Governo admitir que o ciclo económico pode estar a entrar numa nova fase, só em abril quando tem de enviar para Bruxelas o programa de estabilidade é que essa nova perceção pode traduzir-se num novo número.

Uma ideia que já tinha transmitido também aos deputados, na quarta-feira, no final da audição que demorou cerca de três horas, e em resposta a questões dos deputados centristas.

Quando apresentou as previsões, a 15 de outubro do ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já apontava para um abrandamento acentuado da economia para 1,8% em 2019. De lá para cá, são já três as instituições que partilham a mesma previsão. Além do Fundo, também a Comissão Europeia e o Banco de Portugal acreditam que a economia vai engordar apenas 1,8% (e não os 2,2% que os documentos oficiais do Governo mostram).

À Reuters, Siza Vieira voltou a garantir que apesar do novo ciclo, há sinais positivos. “Tenho visto muitas projeções de instituições internacionais e nacionais que vão fazendo sobre a evolução da economia portuguesa e das finanças públicas e há duas coisas que, apesar de tudo, são coincidentes: todas projetam a economia portuguesa a continuar a crescer mais do que a média da UE e todas assumem que o défice do Orçamento vai estar num valor muito baixo, numa trajetória descendente”.

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