“Arriscamo-nos a não ter CTT num futuro próximo”, diz Pizarro. “Estado deve entrar no capital”

Aumenta a pressão sobre os CTT. Socialistas, entre os quais o líder da distrital do Porto, defendem a entrada do Estado no capital dos CTT.

A reversão da privatização dos CTT está em cima da mesa. António Costa está a ser pressionado por alguns setores do PS, — que assim se juntam ao Bloco de Esquerda e o PCP que desde sempre se assumiram contra a privatização, em 2013 — para nacionalizar a empresa liderada por Francisco Lacerda.

Manuel Pizarro, líder do PS-Porto, é um dos elementos do PS mais críticos com a atual gestão dos CTT. Em declarações ao ECO, Pizarro acusa a gestão privada de “destruir valor à empresa, pois tem delapidado património” e adianta que, “a continuar assim, arriscámo-nos a não ter CTT num futuro próximo“.

Pizarro defende que “o Estado deve entrar no capital dos CTT, porque só assim é que se pode ter uma voz ativa dentro da empresa”. Uma ideia que de resto o socialista já tinha defendido no Público, que revela a pressão feita sobre António Costa em ano de eleições e numa altura em que termina a atual concessão do serviço postal. O Governo ou toma a decisão se abre novo concurso, se renova a atual concessão ou se entra no capital dos CTT.

Este fim de semana, o Expresso dava conta de que o próximo contrato do serviço público dos correios, que o Estado poderá assinar com os CTT, após 2020, deverá ser mais exigente para a empresa gerida por Francisco Lacerda, de modo a assegurar melhor o serviço público e, nesse sentido, poderá mesmo dotar a Anacom de mais meios para forçar a empresa a subir a fasquia a este nível.

O líder da distrital do Porto considera que “o serviço postal universal é muito importante e a gestão privada dos CTT tem posto em causa o serviço público universal“.

Pizarro diz mesmo que “não vejo outra solução que não seja o Estado pegar no serviço postal. Aliás, é assim em todos os países. Portugal é o único país em que o Estado não assegura este serviço”. Sobre a percentagem de capital que deve caber ao Estado, Pizarro diz que “não tenho um número definido”.

Mas as críticas de Pizarro não se ficam por aqui. O socialista diz não entender como é que uma empresa privada — a Gestmin — com apenas 12,43% do capital dos CTT, pode deter o controlo da empresa.

Apesar destas críticas, Pizarro reconhece as enormes alterações que o serviço postal tem sofrido, mas diz que “manter este serviço é fundamental para o país”.

As críticas à volta dos CTT têm vindo a subir de tom, sobretudo depois de a empresa ter avançado com o fecho de algumas estações de correios, como é o caso de Lousado, o que levou mesmo a uma carta de protesto por parte da Continental. A Anacom deu, recentemente, aos CTT CTT 2,28% um prazo de 20 dias úteis para que a empresa apresente “uma proposta” para que todos os concelhos do país tenham “pelo menos uma estação de correios ou um posto de correios com características equivalentes às da estação”.

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