Reguladores e bancos de investimento já preparam pior cenário de hard Brexit

Autoridades assinaram memorando de entendimento para reforçar relações após a saída do Reino Unido da UE. Moody's considera que bancos estão preparados, mas alerta para subida nos custos.

Os reguladores dos mercados financeiros e os bancos de investimento estão a preparar o pior cenário possível para um Brexit sem acordo. A menos de dois meses da data limite, o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia continua sem termos definidos, tornando o cenário de um hard Brexit cada vez mais provável.

A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA, na sigla em inglês) e as Autoridades Reguladoras dos Mercados Europeus de Valores Mobiliários assinaram, esta sexta-feira, um memorando de entendimento com a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA, na sigla em inglês). “O memorando faz parte da preparação das autoridades caso o Reino Unido deixe a União Europeia sem um acordo“, explicou a ESMA, em comunicado, sublinhando que este se assemelha a outros assinados com países de fora da UE e que só terá efeito caso este cenário se concretize.

Por um lado, o memorando determina que a ESMA e a FCA mantêm relações de troca de informação no que diz respeito à supervisão das agências de rating e repositórios de transações com vista à proteção dos investidores e normal funcionamento dos mercados financeiros. Além deste acordo bi-lateral, os reguladores decidiram ainda um outro acordo multilateral de cooperação na supervisão e reforço da troca de informação entre reguladores, que permita acompanhamento do mercado, serviços de investimento e atividades de gestão de ativos.

Isto irá permitir que algumas atividades, como o outsourcing e delegação de gestão de fundos, possam continuar a ser levadas a cabo por entidades com base no Reino Unido, em nome de contrapartes com base no Espaço Económico Europeu“, acrescentou a ESMA.

A gestão de ativos e atividade bancária tem sido uma das preocupações no meio das negociações do Brexit. No mesmo dia em que o memorando foi assinado, a agência de notação financeira divulgou também um relatório que indica que os bancos de investimento globais estão preparados para “cada vez mais provável” Brexit sem acordo já que todos tomaram medidas “exaustivas” para minimizar o impacto.

Os bancos de investimento “trabalharam, em particular, para mitigar o risco de direitos de “passaporte”, que atualmente lhes permitem operar tanto no Reino Unido como nos outros 27 países da UE sem licenças adicionais”, explicou a Moody’s, que vê como provável aumento nos custos operacionais, potencial perda de receitas e maiores ineficiências na gestão de capital e liquidez.

A ação regulatória do Reino Unido e da União Europeia amenizará o impacto de um Brexit sem acordo. A Comissão Europeia e o Governo do Reino Unido adotaram medidas temporárias destinadas a reduzir o risco de interrupção do mercado financeiro no curto prazo. Essas medidas são positivas para os bancos de investimento globais”, acrescentou o relatório da agência.

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