ACAP pede incentivos aos abates e alerta para os usados importados

O parque automóvel português está envelhecido. E a importação de carros usados está a aumentar de forma expressiva, levando a ACAP a pedir medidas ao Governo.

As vendas de automóveis novos aumentaram no ano passado. Ainda assim, em cada mil habitantes, apenas 22 compraram um veículo “zero quilómetros”, abaixo da média da União Europeia. É reduzida a renovação do parque automóvel nacional, o que faz com que a idade média dos carros esteja em 12,6 anos. A agravar este contexto está a chegada ao país de muitos veículos usados, situação deverá agravar-se daqui em diante, nomeadamente com o aumento das restrições ao diesel noutros países da União Europeia.

Foram vendidos 273 mil carros novos no ano passado — 228 mil destes foram ligeiros de passageiros. Tendo em conta que saíram menos do que esses das estradas portuguesas, passaram a existir um total de 6,28 milhões de veículos, sendo 5,015 milhões ligeiros de passageiros. Há mais carros, sendo que a idade média destes continua elevada. Dados da Associação Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) mostram que a idade média em 2018 se manteve em 12,6 anos, tal como em 2017.

“Um parque automóvel com uma idade superior a dez anos está a ficar envelhecido, tanto em termos de segurança como de emissões”, salientou Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, durante o habitual balanço anual do mercado. E no caso das emissões torna-se particularmente preocupante tendo em conta que 50% dos veículos são a gasolina, mas 49% são a gasóleo. Apenas 1% funcionam com energias alternativas.

“Há 700 mil carros com mais de 20 anos”, diz Hélder Pedro. A solução para começar a reduzir a idade do parque é o incentivo ao abate. O secretário-geral da ACAP lembra que os carros estão a chegar cada vez mais velhos aos centros de abate: a idade passou de 21,4 para 21,6 anos, em média, sendo necessário criar apoios para acelerar este processo. “São precisos 330 mil abates para tirar um ano à idade média” do parque automóvel nacional, diz.

Este incentivo viria, ao contrário do que existiu em 2009, do Fundo Ambiental. “Propusemos ao Governo que os carros com mais de 13 anos tivessem incentivo no abate. As pessoas aderem a estes incentivos”, salientou. “Propusemos que fosse um sistema semelhante a Espanha em que é definido e quando esse é atingido acaba o programa”, mas esse incentivo acabou por não vingar. Até agora não há nada.

Importados aceleram. E são um risco

A contribuir para o aumento da idade média dos automóveis em Portugal estão também os usados que são importados, nomeadamente de mercados como o alemão. Enquanto as vendas de novos cresceram 2,8%, as matrículas de veículos importados dispararam. De acordo com dados da ACAP, registaram um aumento de 17%. “Portugal, infelizmente, é o grande destino destes carros” usados, salientou Hélder Pedro.

Para a ACAP, a explicar este forte crescimento do mercado de usados importados está a fiscalidade. “Há um grande desconto que fomenta a entrada destes carros. São descontos de 80%” na parte da cilindrada, não na ambiental. “E isso preocupa-nos”, diz Hélder Pedro, antevendo que esta tendência continue a aumentar nos próximos anos tendo em conta que noutros países começa a assistir-se à proibição de automóveis nas cidades, nomeadamente os diesel.

“Há medidas noutros países que deviam preocupar os governantes”, nomeadamente a interdição à circulação de automóveis com motores a gasóleo. “Esses carros têm de ir para algum lado”, diz João Rocha, lembrando que acabam, muitos deles, por vir para Portugal, com todos os efeitos negativos que isso tem em termos ambientais, mas também económicos.

“Isso provoca desvalorização das viaturas e vai acabar por influenciar os valores residuais, penalizando o Aluguer Operacional de Veículos (AOV) [que representa 13% do mercado de automóveis novos em Portugal]. Ou seja, com mais carros usados a diesel no mercado de usados, o valor estimado para um novo dentro de quatro a cinco anos acaba por ser menor. Com o valor residual mais baixo, o valor das prestações no AOV dispara, o que acaba por travar as vendas, envelhecendo o parque. “Era importante que Governo aceitasse recomendação da ACAP para o abate”, diz.

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