Bancos centrais “pacientes”. Mood da Fed chegou ao BCE

Quem proferiu publicamente a palavra foi Jerome Powell devido à incerteza económica, mas os relatos da última reunião do BCE mostram que neste banco central também foi usada.

“Paciente” foi a palavra-chave usada pela Reserva Federal dos EUA (Fed) a 30 de janeiro, para mostrar que está pronta a agir para travar a desaceleração económica. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, mostrou também uma postura mais cautelosa, na reunião de 24 de janeiro, cujos relatos revelam agora que a mesma palavra foi usada entre os participantes.

Os membros [do Conselho de Governadores] concordaram que a política monetária tem de manter-se prudente, paciente e persistente e continuar a seguir uma abordagem com base nos dados no período futuro”, pode ler-se nos relatos da reunião do BCE, divulgados esta quinta-feira.

“Na conjuntura atual, uma mão firme foi vista como justificada e as discussões em relação às operações de política monetária ou a orientação futura foram consideradas prematuras. Ao mesmo tempo, o Conselho de Governadores quis reiterar que está preparado para agir, se necessário”, sublinham.

Tanto a Fed como o BCE apontaram para um aumento dos riscos globais para justificar a posição: esperar para ver. No caso da instituição liderada por Mario Draghi, os relatos mostram agora que os governadores consideram que há uma reduzida probabilidade de recessão, mas que é expectável que o impulso económico global continue a ser mais fraco que o esperado.

O BCE manteve os juros de referência da Zona Euro nos atuais mínimos históricos, com a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento em 0%. As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permaneceram em 0,25% e -0,40%, respetivamente.

Quanto ao programa de compra de ativos (que passou no início de janeiro da fase de compras líquidas para reinvestimentos), o BCE também não fez qualquer alteração. Tem, no entanto, tornado cada vez mais claro que vai lançar uma nova alternativa para salvaguardar a liquidez na banca, com os mercados a anteciparem uma nova ronda de refinanciamento de longo prazo (TLTRO).

“Foram feitas algumas observações sobre os instrumentos de política monetária disponíveis no domínio da provisão de liquidez de mais longo prazo”, referem os relatos. “Quaisquer novas potenciais operações devem refletir os objetivos de política monetária a serem alcançados. Quaisquer decisões a esse respeito não deverão ser tomadas com muita pressa, apesar de que as análises técnicas necessárias para preparar as opções de política para futuras operações de liquidez devem prosseguir com rapidez“.

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